O fortalecimento consistente da demanda por derivados de soja nos Estados Unidos impulsionou as cotações do farelo e do óleo de soja na CME Group (Bolsa de Chicago), oferecendo uma sólida base de sustentação para os contratos futuros da oleaginosa em grão. De acordo com o relatório de mercado dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), essa valorização dos subprodutos em território norte-americano está diretamente atrelada ao aumento simultâneo do consumo doméstico e das encomendas por parte de compradores estrangeiros.
O apetite do mercado internacional pelos derivados das Américas ganhou tração após o registro de novos conflitos geopolíticos envolvendo navios cargueiros no Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o comércio global —, somado a relatórios que apontam o risco iminente de paralisações operacionais e greves no complexo esmagador da Argentina. Combinados, esses fatores restringem a oferta global de curto prazo e deslocam os fluxos de compra para os fornecedores dos Estados Unidos e do Brasil.
Disputa interna e alta nos prêmios portuários
Em resposta a esse ambiente externo inflacionado, o mercado físico brasileiro registrou uma forte intensificação no interesse pela soja destinada à exportação. Esse movimento gerou uma disputa acirrada entre as tradings focadas no comércio internacional e as indústrias esmagadoras domésticas, que precisam garantir matéria-prima para cumprir seus contratos internos de farelo e biodiesel.
Essa concorrência agressiva pelo grão disponível resultou na elevação imediata dos prêmios de exportação nos principais portos do país. Como consequência direta, os preços domésticos da soja mantiveram-se sustentados e operando com viés de alta nas principais praças de comercialização do interior do Brasil, mitigando os efeitos sazonais de pressão de colheita observados nos meses anteriores.
