As operações de processamento industrial de mandioca registraram um ritmo mais lento nas principais regiões produtoras do país, resultando em uma sustentação e leve reação nos preços pagos pela matéria-prima. De acordo com o acompanhamento de mercado realizado por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o principal fator para esse enxugamento da oferta foi a ocorrência de frentes de chuva recentes, que limitaram fisicamente o avanço das máquinas e dos trabalhadores nas áreas de arrancada.
Além do fator climático, a dinâmica operacional das fazendas também contribuiu para a menor disponibilidade do produto. Neste momento, os agricultores priorizam os trabalhos de plantio em detrimento da colheita. Esse cenário é agravado pelo baixo interesse dos produtores na comercialização de raízes de primeiro ciclo — aquelas com até 12 meses de desenvolvimento —, cuja entrega precoce neste patamar de preços compromete o potencial de rendimento de amido por hectare.
Tendência de curto prazo e pressão imobiliária rural
Para as próximas semanas, as projeções do Cepea indicam a manutenção deste ritmo cadenciado na colheita e na comercialização. O planejamento das propriedades rurais deve seguir concentrado no fechamento das janelas de plantio da nova safra.
O relatório técnico traz ainda um alerta de médio prazo para o setor de amidos e farinhas: muitos agentes sinalizam a intenção de diminuir a área total destinada ao cultivo da mandioca nos próximos ciclos. Esta tomada de decisão é motivada pela baixa rentabilidade acumulada na atividade, pelo aumento dos riscos de mercado — onde os preços praticados muitas vezes não remuneram adequadamente os custos de produção — e pela severa competição pelo uso do solo.
Com os preços de arrendamento e compra de terras permanecendo elevados nas principais fronteiras agrícolas, a mandiocultura perde espaço para culturas commoditizadas de maior liquidez e previsibilidade de caixa, como a soja e o milho.
