Representantes das principais entidades do setor agropecuário paranaense alinharam a criação da Câmara Setorial da Ovinocultura. A iniciativa foi pauta da primeira reunião do Grupo de Trabalho da Ovinocultura, promovida pelo Sistema FAEP na quarta-feira (29), na sede da entidade em Curitiba. O objetivo é diagnosticar os gargalos estruturais da atividade e definir estratégias integradas para expandir a produção, fortalecer a sanidade e combater a informalidade no campo.
A articulação reúne o Sistema FAEP, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), aAssociação Paranaense de Criadores de Ovinos(Ovinopar), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a CooperAliança, o Sistema Ocepar e a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
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Segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM/IBGE), o Paraná detém um rebanho de 516 mil ovinos (2,4% do efetivo nacional), ocupando a oitava posição no ranking do País. O município de Guarapuava desponta como o principal polo estadual, concentrando 18,7 mil animais.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou o momento favorável do mercado e a urgência de ajustes estruturais.
"O momento é oportuno. Temos observado crescimento da ovinocultura, aumento no preço pago pelos cordeiros e novos produtores entrando no mercado. Ao mesmo tempo, ainda dependemos da entrada de animais de outros Estados para atender à demanda. Precisamos de ações que permitam aumentar a produção interna, melhorar o bem-estar animal, a sanidade, a qualidade dos produtos e incentive a formalização dos produtores", pontuou Meneguette.
O paradoxo da oferta e a dependência externa
A ascensão do consumo de carne ovina expõe um gargalo na cadeia paranaense: mesmo com mercado comprador aquecido, a oferta local não supre as indústrias e cooperativas. De acordo com dados do IDR-Paraná, em 2025 as importações de carne de ovinos e caprinos pelo estado ultrapassaram 238 toneladas.
A vice-presidente da CooperAliança, Adriane Thives Araújo Azevedo, confirma a escassez de matéria-prima. "Hoje abatemos cerca de 10 mil cordeiros por ano e dependemos da entrada de animais provenientes de outros Estados", relata.
Para o técnico Fábio Mezzadri, do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, o caminho para equilibrar o mercado passa por trazer o criador para o circuito oficial: "É importante trazer o produtor para o mercado formal, mostrando que a ovinocultura é rentável e economicamente viável", avalia.
O pesquisador do IDR-Paraná, João Ari Hill, acrescenta que o setor evoluiu nos últimos anos, mas necessita de mapeamento preciso para direcionar políticas públicas e de fomento técnico.
Sanidade, subnotificação e assistência técnica
Na área de defesa sanitária, a Adapar alerta que a produção informal oculta a real dimensão da pecuária ovina no Estado. A chefe da Divisão de Sanidade de Caprinos e Ovinos da Adapar, Patrícia Muzolon, aponta que muitos produtores mantêm o rebanho apenas para subsistência ou consumo doméstico, gerando subnotificação de propriedades e de ocorrências sanitárias.
Para enfrentar a questão, a Adapar trabalha na modernização do sistema de Guia de Trânsito Animal (GTA), simplificando a movimentação de ovinos e desburocratizando a regularização dos plantéis.
Na ponta da produção, o Sistema FAEP atua no fortalecimento do gerenciamento das propriedades por meio de turmas de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em ovinocultura nos municípios de Campo do Tenente, Palmas, Rio Azul e Guarapuava, capacitando os criadores em índices zootécnicos e gestão financeira.
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