Filtre notícias por regiões: Nacional | Paraná | Goiás | São Paulo | Rio Grande do Sul | Mato Grosso | Mato Grosso do Sul | Minas Gerais | Nordeste |
NOTÍCIAS DO AGRO > nacional > legislacao

Juros altos e perdas climáticas agravam crise no campo

Produtores relatam dificuldade para manter investimentos e financiar a produção diante da combinação de custos elevados, perdas climáticas e retração do crédito rural

Juros altos e perdas climáticas agravam crise no campo
Setor agropecuário pressiona por renegociação das dívidas e ampliação do crédito para garantir continuidade da produção. Foto: FPA / Divulgação
Foto do autor Jair Reinaldo
Publicado em:

O aumento do endividamento rural tem ampliado a preocupação no agronegócio brasileiro diante da combinação de juros elevados, perdas provocadas por eventos climáticos e retração do crédito. Produtores relatam dificuldades para manter a atividade e financiar a próxima safra, enquanto entidades do setor e parlamentares pressionam por mecanismos de renegociação das dívidas.

Segundo lideranças do agro, a alta do endividamento não ocorreu por expansão desordenada da atividade, mas pela necessidade de sustentar a produção em meio ao avanço dos custos com fertilizantes, diesel, defensivos e outros insumos, além da redução da rentabilidade das lavouras nos últimos ciclos.

Publicidade

“O produtor não se endividou porque quis crescer demais. Ele se endividou tentando continuar produzindo”, afirmou o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion.

Dados do Ministério da Agricultura apontam desaceleração nas operações do Plano Safra 2025/2026. As contratações de custeio caíram 13% em relação ao ciclo anterior, enquanto as linhas de investimento recuaram 20%. Programas voltados à modernização da produção, como Moderfrota e Proirriga, registraram retração próxima de 50%.

Perdas climáticas ampliam pressão no Sul

No Rio Grande do Sul, a situação financeira do setor foi agravada pela sequência de eventos climáticos extremos. Além das estiagens recorrentes, produtores gaúchos enfrentaram em 2024 enchentes históricas que atingiram mais de 206 mil propriedades rurais, segundo a Defesa Civil estadual.

Levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) estima que as perdas acumuladas do agro gaúcho ultrapassaram R$ 100 bilhões nos últimos cinco anos.

O presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, afirmou que o setor vive um dos momentos mais difíceis das últimas décadas diante dos prejuízos climáticos e do encarecimento do crédito rural.

Em municípios do interior do estado, agricultores relatam venda de máquinas, renegociação de arrendamentos e dificuldade para garantir recursos para o próximo ciclo produtivo.

Mato Grosso enfrenta dificuldades financeiras

A pressão financeira também atingiu Mato Grosso, principal produtor de grãos do país. A queda nas cotações internacionais da soja e do milho, somada ao aumento dos juros, elevou as dificuldades para renovação de financiamentos e contratação de custeio.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirmou que a combinação entre juros elevados, quebra de produtividade e perda de rentabilidade comprometeu a capacidade de pagamento de parte dos produtores.

“Nós não estamos pedindo perdão de dívida. O produtor quer prazo para conseguir continuar produzindo e honrar seus compromissos”, declarou durante debate promovido pela entidade.

O produtor rural Regis Porazzi também relatou que muitos agricultores passaram a operar no limite financeiro após sucessivas perdas de margem.

“Nós estamos impossibilitados de pagar as nossas contas porque a nossa produtividade ficou muito próxima do nosso custo de produção”, afirmou.

Segundo ele, diante da retração do crédito oficial, parte dos produtores precisou recorrer a linhas privadas com juros superiores a 16% ao ano.

Redução de investimentos preocupa setor

No Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, produtores também relatam redução dos investimentos e aumento da pressão bancária após perdas de produtividade provocadas por irregularidades climáticas.

Representantes do setor classificam o atual cenário como uma “tempestade perfeita”, marcada pela combinação de juros elevados, retração do crédito, aumento dos custos e eventos climáticos sucessivos.

A preocupação das entidades é que a restrição financeira reduza investimentos no campo, provoque diminuição da área plantada e afete a produção de alimentos nos próximos ciclos.

“Muitos produtores já sinalizam redução do pacote tecnológico e diminuição da área plantada”, alertou Pedro Lupion.

Congresso amplia pressão por renegociação

Diante do avanço da crise financeira no campo, a Frente Parlamentar da Agropecuária intensificou as articulações no Congresso Nacional em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que prevê mecanismos de renegociação das dívidas rurais com recursos do Fundo Social.

A proposta passou a ser tratada como prioridade pela bancada ruralista no Senado. A vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina, atua para acelerar o avanço do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Além da renegociação emergencial, entidades do agro defendem medidas estruturais, como fortalecimento do seguro rural, ampliação de fundos garantidores e construção de uma política agrícola plurianual que ofereça maior previsibilidade ao financiamento da produção agropecuária brasileira.

Comentários
Newsletter
Receba resumos de notícias diários
Buscar no site
Publicidade
Leia também

Fala, agro!
Publicidade

Mais lidas
Publicidade
Banner publicitário