O início de 2025 foi marcado por desafios no comércio internacional, principalmente devido à imposição de tarifas de importação pelos Estados Unidos sobre seus parceiros comerciais. Apesar desse cenário adverso, o agronegócio brasileiro demonstrou grande resistência e conseguiu ampliar seu faturamento em dólar nas exportações.
Entre janeiro e abril, o setor alcançou um faturamento de US$ 52,8 bilhões, registrando um avanço de 1,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do Cepea, da Esalq/USP, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do sistema Siscomex.
Essa alta no faturamento se deve principalmente ao aumento médio de 5,3% nos preços em dólar dos produtos exportados, já que o volume embarcado recuou 3,5% no período. Carnes bovina, suína e de frango, celulose e algodão foram os que apresentaram maior crescimento no volume vendido, enquanto café e suco de laranja tiveram forte valorização nos preços.
A demanda internacional aquecida impulsionou as vendas brasileiras de carne, mesmo com as tarifas impostas pelos EUA, que não impediram o avanço das exportações para o mercado norte-americano. Já o café e o suco de laranja se beneficiaram da baixa oferta tanto no Brasil quanto globalmente, o que elevou seus preços.
A China permanece como o maior comprador do agronegócio brasileiro, embora tenha reduzido ligeiramente sua participação no total exportado. Em contrapartida, a Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e Sudeste Asiático aumentaram sua fatia nas compras entre janeiro e abril.
Para os próximos meses, as expectativas são positivas, com crescimento do volume exportado apoiado pela safra recorde de grãos no Brasil. No entanto, a política comercial dos EUA e as tarifas aplicadas geram incertezas que podem impactar o ritmo das vendas.
Ainda assim, mercados sem tarifas adicionais, como a China, oferecem oportunidades para elevar a competitividade dos produtos brasileiros, enquanto a demanda interna dos EUA, apesar das tarifas, permanece firme em itens como carne bovina e suco de laranja. Por outro lado, uma desaceleração econômica global pode influenciar a procura por commodities e afetar o desempenho das exportações brasileiras.