O custo de produção do agronegócio no Rio Grande do Sul registrou uma redução de 1,24% no mês de junho, de acordo com o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), divulgado pela Assessoria Econômica da Farsul. A retração foi impulsionada pela trégua momentânea no preço internacional do petróleo, decorrente do anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio, aliada à retomada das exportações chinesas de ureia — fatores que baratearam combustíveis e fertilizantes.
Entretanto, a entidade alerta que a melhora nas contas da lavoura é temporária. O encerramento do cessar-fogo voltou a inflacionar o petróleo em julho, o que deve impactar negativamente os indicadores operacionais nos meses seguintes. No acumulado do ano, o IICP registra alta de 4,63% e avanço de 1,50% em 12 meses, sustentando a pressão sobre as margens financeiras do setor produtivo gaúcho.
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Preços recebidos no campo caem em 12 meses e ampliam descompasso com o varejo
Em contrapartida, os valores obtidos na venda da produção agrícola mantiveram-se estagnados. O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) apresentou uma variação tímida de 0,19% em junho, sustentada pontualmente pela valorização do trigo durante o período de entressafra. No acumulado do ano, o IIPR acumula queda de 3,86% e recuo de 5,79% em 12 meses, com retração acentuada nas cotações do arroz e dos suínos em função da ampla disponibilidade do produto no mercado, contrastando com a valorização do boi gordo.
O levantamento do Farsul Big Data destaca ainda o descompasso entre a rentabilidade na origem e os preços pagos pelo consumidor final. Enquanto a remuneração ao produtor caiu 5,79% em 12 meses, o IPCA Alimentos e Bebidas acumulou alta de 3,82% no mesmo período. Na avaliação da entidade, o indicador demonstra que os reajustes de preços no supermercado não são originados dentro da propriedade rural, decorrendo de custos agregados ao longo das etapas de industrialização, logística, distribuição e varejo.
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