A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o estabelecimento do fenômeno El Niño, encerrando o status de monitoramento e elevando a classificação para "El Niño Advisory". A atualização indica que o fenômeno já está em curso no Oceano Pacífico e deve permanecer ativo ao longo dos próximos meses.
Segundo a nova Discussão Diagnóstica ENSO divulgada pelo Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA), as condições oceânicas e atmosféricas passaram a apresentar o acoplamento característico da fase quente do fenômeno, com aquecimento persistente das águas do Pacífico Equatorial e resposta consistente da circulação atmosférica.
As projeções dos modelos climáticos apontam elevada confiança na permanência do El Niño. A probabilidade de continuidade do fenômeno varia entre 97% e 99% em todos os trimestres compreendidos entre junho de 2026 e o verão de 2027, tornando praticamente certa sua influência sobre o clima global durante esse período.
Atmosfera passou a responder ao aquecimento do Pacífico
Até maio, o Pacífico Equatorial já apresentava temperaturas acima da média, mas a atmosfera ainda não demonstrava uma resposta suficiente para caracterizar oficialmente o fenômeno.
Nas últimas semanas, no entanto, os meteorologistas observaram o fortalecimento de padrões típicos do El Niño, como anomalias nos ventos, índices negativos da Oscilação Sul e o deslocamento gradual das áreas de maior atividade convectiva para o Pacífico central e leste.
Além disso, todas as regiões monitoradas do Pacífico Equatorial registraram temperaturas acima do limiar utilizado para caracterizar o fenômeno. O destaque ficou para a região Niño 1+2, próxima à costa da América do Sul, onde as anomalias já superam 2°C.
Evento pode ficar entre os mais fortes já registrados
Um dos principais pontos da atualização da NOAA é a projeção de intensidade do fenômeno para os próximos meses.
Os modelos indicam fortalecimento gradual ao longo do segundo semestre de 2026, com pico previsto entre a primavera e o verão do Hemisfério Sul. Segundo as estimativas oficiais, existe 63% de probabilidade de que o El Niño alcance a categoria de muito forte, com índice RONI igual ou superior a 2°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso a projeção se confirme, o episódio poderá integrar a lista dos eventos mais intensos registrados desde 1950, ao lado dos históricos El Niños de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
O que é o El Niño?
O El Niño corresponde à fase quente do fenômeno ENSO (El Niño-Oscilação Sul). Ele ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial Central e Leste permanecem mais quentes que a média por um período prolongado.
Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica tropical e influencia os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta. Para que o fenômeno seja oficialmente reconhecido, não basta apenas o aquecimento do oceano. Também é necessária uma resposta consistente da atmosfera, conhecida como acoplamento oceano-atmosfera.
Possíveis impactos para o Brasil
Embora ainda seja cedo para definir os impactos exatos sobre cada região brasileira, os efeitos historicamente associados ao El Niño já são conhecidos pelos meteorologistas.
Em geral, o fenômeno favorece chuvas acima da média no Sul do Brasil, especialmente entre a primavera e o início do verão, além de aumentar o risco de eventos extremos de precipitação. Já no Norte e em parte do Nordeste, costuma haver redução das chuvas e aumento das temperaturas.
Outra característica comum é a ocorrência de temperaturas acima da média em grande parte do território nacional. No entanto, especialistas destacam que a intensidade do El Niño não determina automaticamente a magnitude dos impactos, que também dependem da influência de outros fatores climáticos, como a temperatura do Oceano Atlântico.
Influência deve aumentar a partir da primavera
De acordo com a NOAA, os efeitos do fenômeno sobre a América do Sul tendem a se intensificar a partir da primavera de 2026, período em que o aquecimento do Pacífico deverá ganhar força.
O pico da influência climática é esperado entre outubro de 2026 e março de 2027, coincidindo com o período em que os modelos projetam as maiores anomalias de temperatura na superfície do Oceano Pacífico Equatorial. Nesse intervalo, produtores rurais e agentes do setor agropecuário deverão acompanhar de perto a evolução das condições climáticas para ajustar estratégias de manejo e planejamento da safra.