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Produção de etanol de milho avança e fortalece bioenergia

Crescimento da produção no Centro-Oeste amplia oferta de combustível renovável e fortalece o papel do milho na matriz energética brasileira

Produção de etanol de milho avança e fortalece bioenergia
Expansão do etanol de milho fortalece a bioenergia e amplia investimentos no Centro-Oeste brasileiro. Foto: CNA / Divulgação
Foto do autor Jair Reinaldo
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O avanço do etanol de milho vem transformando a dinâmica do mercado brasileiro de biocombustíveis nos últimos anos, impulsionado principalmente pela expansão das usinas no Centro-Oeste e pelo aumento da oferta de milho na região.

Atualmente, o etanol produzido a partir do cereal já representa quase 30% de todo o etanol fabricado no Brasil, consolidando o crescimento de uma cadeia que ganhou espaço diante da competitividade econômica e da ampliação da demanda por combustíveis renováveis.

Segundo o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, o setor vive um momento de forte expansão no país, sustentado principalmente pelos custos mais competitivos de produção.

“O custo de produção do etanol de milho é entre 20% e 30% menor que o do etanol de cana, o que estimulou o surgimento de muitas novas usinas no Centro-Oeste”, afirma.

Entre os fatores que impulsionam esse crescimento estão a grande disponibilidade de milho, o mercado consolidado de DDG (Grãos Secos de Destilaria) voltado à alimentação animal, o acesso a biomassa de baixo custo e os incentivos tributários oferecidos por alguns estados para atração de investimentos industriais.

Além de ampliar a capacidade produtiva do setor, o avanço do etanol de milho também contribuiu para reduzir a sazonalidade da oferta de combustíveis no mercado brasileiro. Diferentemente das usinas sucroenergéticas ligadas à cana-de-açúcar, as plantas de etanol de milho operam durante todo o ano.

“As usinas de etanol de milho operam durante os 12 meses do ano. Isso reduz a sazonalidade de oferta e de preços que existia no passado”, explica Ono.

A complementaridade entre os modelos produtivos de cana e milho também foi decisiva para o abastecimento nacional nos últimos anos. Enquanto parte das usinas sucroenergéticas priorizou a produção de açúcar diante dos preços internacionais mais atrativos, o etanol de milho ampliou sua participação no mercado interno.

Segundo Ono, o cenário para 2026 tende a apresentar maior competição entre os produtores de etanol de cana e milho, em um ambiente de expansão da bioenergia no país.

No mercado internacional, o Brasil também começa a consolidar sua posição como referência em etanol de milho. O setor avalia que o combustível brasileiro já é reconhecido globalmente como alternativa sustentável e de baixa emissão de carbono.

Apesar do crescimento acelerado, a cadeia ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão a necessidade de ampliar o consumo de etanol hidratado em regiões sem tradição no uso do combustível, como Norte, Nordeste e Sul do país, além da expansão do mercado externo para DDG e do investimento em biomassa para abastecimento das usinas.

“O setor ainda precisa ampliar o mercado externo para DDG e investir fortemente na produção de biomassa, especialmente com plantações de eucalipto em larga escala”, conclui Martinho Seiiti Ono.

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