A consolidação de Goiás como um polo emergente na produção de mel exige o fortalecimento das ações de vigilância sanitária e defesa agropecuária. Em alinhamento às diretrizes da Instrução Normativa nº 11/2018, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) emitiu um comunicado oficial orientando os apicultores e meliponicultores do estado sobre a obrigatoriedade e a importância estratégica de realizar o cadastro de seus apiários. A medida atinge todos os estabelecimentos rurais e proprietários que detenham animais sujeitos à fiscalização, servindo como base para o planejamento de políticas públicas estruturadas.
De acordo com o pronunciamento do presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, o cadastramento permite ao órgão mapear com precisão a densidade populacional de abelhas (com e sem ferrão) no território goiano. Esse banco de dados robusto otimiza a execução do Programa Estadual de Sanidade de Abelhas, servindo como uma barreira preventiva essencial contra a introdução de enfermidades exóticas ou surtos epidemiológicos que possam colocar em risco a biossegurança das colmeias. O processo permanece aberto continuamente e pode ser efetuado de forma digital no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago) ou presencialmente nas unidades locais da agência, mediante o preenchimento da documentação oficial disponível no portal do órgão.
Fiscalização integrada, controle antimicrobiano e expansão mercadológica
O monitoramento estatal cobre de forma integral todas as etapas do ecossistema produtivo. A gerência de Inspeção da Agrodefesa esclarece que as auditorias fiscais estendem-se desde o manejo de campo até os entrepostos agroindustriais credenciados, unidades responsáveis pelo beneficiamento, classificação, rotulagem e expedição dos derivados do mel. Para manter o status sanitário e evitar perdas econômicas, as autoridades reforçam que o transporte de colmeias deve ser obrigatoriamente acobertado pela Guia de Trânsito Animal (GTA). Além disso, fica estritamente proibido o uso de antibióticos ou antimicrobianos sem registro ou autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Apicultores devem monitorar ativamente seus enxames e notificar imediatamente a presença de sinais clínicos anômalos, como mortalidade aguda de operárias, dificuldades severas de voo ou o surgimento de crias secas e mumificadas nos favos.
A necessidade de profissionalização do setor em Goiás reflete-se diretamente nos números macroeconômicos oficiais. Dados consolidados pelo IBGE apontam que a produção brasileira de mel alcançou a marca de 64,1 mil toneladas em 2023, com o estado de Goiás respondendo por 402,2 toneladas. Na análise da série histórica de 2015 a 2023, o crescimento volumétrico foi de 69,5% para o Brasil e de 25,4% para o território goiano. No front financeiro, enquanto o valor da produção nacional registrou leve recuo cambial de 7,6% (movimentando R$ 908,0 milhões), o faturamento da apicultura em Goiás saltou expressivos 25,8%, atingindo a marca de R$ 12,3 milhões. Analistas apontam que as flutuações e gargalos locais ainda estão atrelados a fatores estruturais, como a informalidade de pequenos criadores e a escassez de mão de obra qualificada.
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No panorama internacional, o mel brasileiro demonstra forte tração competitiva: em 2024, o país exportou 37,9 mil toneladas de mel natural, registrando uma alta de 32,8% em comparação ao ano anterior. Os Estados Unidos consolidam-se como o principal mercado de destino ao absorverem 79% desse montante, o equivalente a 29,9 mil toneladas. O relatório do setor destaca ainda que o Canadá ultrapassou a Alemanha no ranking de compradores, registrando um avanço expressivo de 120,6% nas suas aquisições, o que confirma a forte concentração das exportações brasileiras nas nações norte-americanas e nos principais blocos europeus.
