A imposição de uma nova tarifa de 25% pelos Estados Unidos a produtos brasileiros eleva a tributação total sobre a uva nacional para 35%, intensificando a pressão sobre os fruticultores do país. O produto já vinha acumulando perdas no mercado norte-americano desde os gargalos tarifários do ano passado: no primeiro semestre de 2025, os EUA absorveram 15% de toda a uva exportada pelo Brasil; no mesmo período deste ano, o volume despencou para apenas 5%.
Dados do Comex mostram que a participação norte-americana na compra da fruta brasileira já foi de 27% em 2023 (72,2 mil toneladas) e de 23% em 2024 (58,9 mil toneladas). Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a nova sobretaxa afetará 36,5% das exportações do agronegócio nacional. A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) pondera que a elevação de custos retira a competitividade do produto frente a concorrentes internacionais, embora itens essenciais como café, carne bovina e suco de laranja tenham permanecido na lista de isenções dos EUA.
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O head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion, reforça a gravidade da volatilidade regulatória e orienta o setor exportador a adotar medidas estratégicas de mitigação:
"A nova tarifa evidencia que o mercado norte-americano vive um ambiente de elevada volatilidade regulatória. Para o exportador, isso reforça a importância de diversificar mercados e manter padrões de rastreabilidade e competitividade para reduzir riscos comerciais futuros", afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.
Isenções estratégicas e caminhos para a diversificação de mercados
Apesar do impacto sobre a uva, o melão e a melancia — estes dois últimos com menor dependência dos EUA, já que o principal comprador é o mercado europeu —, produtos estratégicos da pauta exportadora brasileira continuam isentos da tarifa adicional. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) ressaltou que a exclusão do café, inclusive o solúvel, protege um fluxo comercial que movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões anuais.
Diante do cenário de incertezas no comércio com o governo norte-americano, a orientação de especialistas é acelerar a prospecção de novos compradores na Europa, América do Sul, Ásia e Oriente Médio.
Hugo Centurion destaca que a experiência acumulada pelos produtores com as turbulências do ano passado deve balizar as ações das fazendas e tradings no curto e médio prazo:
"Para os exportadores brasileiros, a medida evidencia a necessidade de acompanhar continuamente as mudanças regulatórias e ampliar a diversificação dos destinos das exportações. Os produtores de uva e outros produtos sobretaxados devem continuar seguindo as medidas que adotaram no ano passado, como diversificação dos destinos, ampliação de vendas para Europa e Canadá, prospecção de novos mercados sul-americanos e negociação com redes varejistas internacionais", conclui o especialista.
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