A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), liderada por seu presidente, Tirso Meirelles, publicou uma dura nota de repúdio contra a decisão unilateral do governo dos Estados Unidos de impor barreiras tarifárias adicionais às exportações brasileiras. Anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a medida estabelece uma sobretaxa de 12,5%, fazendo com que produtos antes isentos passem a ser taxados e outros alcancem uma alíquota abusiva de 37,5%.
Além de classificar a ação norte-americana como arbitrária, a entidade direcionou fortes críticas à inércia da diplomacia comercial brasileira. De acordo com a Faesp, a falta de uma postura firme por parte do Governo Federal deixa o setor produtivo desprotegido diante de um cenário de crescente protecionismo global.
Índice de preços ao produtor acumula queda de 9,5% no 1º semestre
Nova MP autoriza renegociação de dívidas rurais por perdas climáticas
Violação de parceria secular e repúdio às alegações de trabalho forçado
O presidente da Faesp rebateu veementemente as justificativas norte-americanas para as sanções comerciais, que envolvem acusações sobre a gestão de mão de obra no país. Tirso Meirelles ressaltou a história de mais de dois séculos de trocas comerciais entre as duas nações e a evolução socioambiental do campo brasileiro.
"Com um histórico de 200 anos de relações comerciais com os Estados Unidos, é totalmente descabida a insinuação de que o Brasil convive com trabalho forçado. O agronegócio brasileiro atua sob rigorosos parâmetros de compliance e agendas ESG para garantir e acompanhar a qualidade da força de trabalho de ponta a ponta. Nosso compromisso com os direitos humanos e a dignidade no campo é intransigente", afirmou Tirso Meirelles.
Críticas à inércia do Executivo e o papel do setor produtivo
A entidade relembrou que os alertas sobre o risco de retaliações comerciais vêm sendo feitos há quase dois anos, inclusive durante missões internacionais à capital norte-americana. Para a liderança paulista, o Executivo pecou ao tratar a pauta de forma leniente ou por conveniências de ordem política.
"Como temos alertado há quase dois anos: é lamentável a postura do Governo Federal, que não tratou este assunto com a devida gravidade desde o início e, pior, trabalhou em sentido oposto, evidenciando que proteger essa parceria secular e o setor produtivo não era uma prioridade. Ao não enxergar a real dimensão do problema e deixar de corrigir a rota de imediato por motivos político-eleitoreiros, o Governo Federal prejudica todo o setor produtivo, em especial o agronegócio, indiscutível fiel da balança comercial brasileira", ponderou Meirelles.
O dirigente fez questão de pontuar que a lista de produtos brasileiros que conseguiram exceção na nova tabela dos EUA não resulta de negociações governamentais, mas sim de uma articulação direta feita por entidades privadas do agro, indústria, comércio e serviços junto aos importadores americanos.
Alerta sobre a China e o caminho da negociação firme
A Faesp chamou atenção para o fato de que a passividade diplomática brasileira não se restringe ao mercado norte-americano. A entidade citou que a China impõe uma taxa de 55% sobre a carne bovina brasileira, reforçando que o país precisa de uma estratégia global de defesa comercial.
"É preciso combater a crônica inércia da diplomacia comercial brasileira, que assiste passivamente ao cercamento de mercados globais sem qualquer movimento concreto para salvaguardar o setor produtivo nacional. Afinal, não são apenas os Estados Unidos que estão protegendo seu mercado sem reação proporcional do Brasil: a China também impõe uma pesada sobretaxa sobre a carne bovina", alertou o presidente da Faesp.
Apesar da gravidade do momento, a entidade defende que a solução deve ser construída pela via técnica e diplomática tradicional, rejeitando medidas extremas de retaliação imediata.
"É urgente acionar rápida e estrategicamente todos os canais de diplomacia comercial para restabelecer parâmetros que permitam a concorrência leal. Acreditamos que ainda há espaço para o diálogo firme, propositivo e que salvaguarde quem produz a segurança alimentar mundial. Não é o momento de ativação da Lei de Reciprocidade Econômica", concluiu Tirso Meirelles.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
