Segundo relatório da Farsul, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), elaborado pela Assessoria Econômica da federação, encerrou o mês de junho de 2026 com uma deflação mensal de 0,48%. O resultado surpreendeu o setor e reverteu a expectativa inicial de alta para o período, que previa pressão inflacionária provocada pela valorização de itens cruciais como milho, soja, sal mineral e energia elétrica.
Mercado internacional alivia adubos e combustíveis
Produtores de leite voltam a ter margem positiva no RS
Cooperativismo garante a produção de leite no RS
O principal fator para a retração do indicador gaúcho veio do mercado externo de fertilizantes. No final de maio, a China voltou a exportar ureia após um período de restrições destinadas à proteção de seu abastecimento interno. A entrada de cerca de 1,5 milhão de toneladas adicionais no comércio global gerou uma rápida recomposição da oferta e provocou uma das correções de preços mais severas dos últimos anos, com uma queda de aproximadamente 40% nas cotações internacionais em relação ao pico recente.
Paralelamente, o arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a normalização do tráfego logístico no Estreito de Ormuz favoreceram um recuo de cerca de 23% nas cotações do petróleo. Esse movimento repercutiu diretamente na redução dos preços dos combustíveis no País, aliviando a cadeia de transporte da pecuária leiteira no Rio Grande do Sul.
Efeito heterogêneo na porteira e projeções para julho
Conforme alerta a Assessoria Econômica da Farsul, a transmissão do alívio externo para o bolso do produtor gaúcho ocorre de forma heterogênea. Como grande parte dos pecuaristas realizou compras antecipadas de insumos para se proteger de incertezas globais, muitos incorporaram estoques cotados em patamares elevados, limitando o impacto prático da deflação de junho sobre a margem da atividade.
Para julho, a entidade projeta o retorno da inflação do ILC, impulsionada pelo encarecimento dos grãos da ração (milho e soja). No cenário do varejo, o IPCA de Leite e Derivados acumula alta de 10,06% em 12 meses, evidenciando o descompasso entre a volatilidade dos custos da porteira e a recomposição de preços ao longo da cadeia produtiva.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
