Diante da elevada probabilidade de permanência do fenômeno El Niño até o início de 2027, sete unidades da Embrapa elaboraram uma nota técnica com recomendações preventivas para a agropecuária da Região Sul. O trabalho conjunto reúne dados das unidades Clima Temperado (RS), Florestas (PR), Pecuária Sul (RS), Soja (PR), Suínos e Aves (SC), Trigo (RS) e Uva e Vinho (RS), com o objetivo de orientar produtores e técnicos sobre o planejamento das lavouras.
De acordo com projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno apresenta 63% de chance de atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para os estados do Sul, esse cenário sinaliza aumento do volume de chuvas, maior nebulosidade e temperaturas acima da média durante o inverno, o que exige ajustes de manejo nos diferentes sistemas agrícolas.
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Recomendações técnicas abrangem grãos, frutas e conservação do solo
A publicação enfatiza que a incerteza climática deve ser combatida com gestão de riscos fundamentada em dados científicos. Entre as orientações gerais para os produtores estão o cumprimento do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o acompanhamento de boletins meteorológicos oficiais, a contratação de seguro rural e a adequação do uso de insumos ao potencial real do solo em anos de maior umidade.
Para cada cadeia produtiva, o documento detalha estratégias específicas:
Cereais de inverno e grãos: Em culturas como trigo, cevada, aveia, soja, milho e arroz irrigado, as ações focam na drenagem de áreas encharcadas, no combate à erosão, no manejo da adubação e no monitoramento constante de doenças favorecidas pela alta umidade.
Fruticultura: Considerada uma das atividades mais sensíveis a eventos extremos, a produção de videiras, macieiras, pessegueiros e oliveiras recebe orientações sobre proteção do sistema radicular, controle fitossanitário e contenção de danos por ventos ou granizo.
Manejo ambiental: A nota sugere intervenções em escala de microbacias hidrográficas e o fortalecimento de sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs).
Informação e prevenção reduzem prejuízos no campo
Pesquisadores que integram a Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos ressaltam que o El Niño representa uma alteração no padrão de risco, e não um prejuízo inevitável. Com o nível de conhecimento acumulado sobre o clima, o foco da gestão rural precisa migrar da reação para a prevenção antecipada.
Para assegurar que as orientações cheguem aos agricultores, a iniciativa prevê a capacitação contínua de agentes de assistência técnica e a distribuição de conteúdos digitais, aplicativos e materiais explicativos em toda a Região Sul.
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