Conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) de quinta-feira (23), o clima predominantemente favorável registrado entre 1º e 21 de julho impulsionou o desenvolvimento dos cultivos de inverno e acelera os trabalhos de colheita do algodão e do milho segunda safra em grande parte do território nacional. O relatório técnico indica que os índices de vegetação do ciclo atual permanecem superiores à média histórica e aos patamares observados na safra passada.
Clima favorece o avanço dos trabalhos e do trigo no Paraná
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A predominância de tempo seco marcou a maior parte do País no período analisado. Na Região Sul, a combinação entre o frio e a ocorrência de geadas ocasionais beneficiou o estabelecimento inicial das lavouras de trigo. Conforme a Conab, a boa umidade do solo no Paraná favoreceu o desenvolvimento final do milho segunda safra, criando condições promissoras para a consolidação do potencial produtivo do Estado.
Em contraste com a estabilidade inicial registrada no Rio Grande do Sul, onde dias ensolarados garantiram um ambiente inicial adequado ao trigo, a chegada de fortes tempestades no final de julho acendeu o sinal de alerta no campo. A precipitação excessiva traz riscos de danos físicos às plantas e de lixiviação do solo — processo mecânico em que o volume hídrico lava os nutrientes da terra, comprometendo a fertilidade da área. A entidade destaca que, como o monitoramento de satélite reflete os dados coletados até o dia 20 de julho, os impactos dessas perdas pontuais ainda serão mensurados nos relatórios posteriores.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o ar seco, as noites frias e o tempo firme impulsionaram a maturação do algodão e permitiram a perda natural de umidade dos grãos de milho, otimizando o ritmo das colheitadeiras no campo.
Desafios pontuais no Mato Grosso do Sul e no Sealba
Por outro lado, o estresse hídrico atingiu pontualmente algumas praças produtoras. No sudoeste de Mato Grosso do Sul, a escassez de precipitações comprometeu a umidade do solo durante as fases críticas de floração e enchimento de grãos do trigo, momentos vitais em que o cereal demanda maior volume de água. A condição coloca sob risco o rendimento produtivo esperado para as lavouras sul-mato-grossenses.
Cenário semelhante de restrição hídrica foi mapeado no Nordeste, onde a seca reduziu o armazenamento de água no solo na região do Sealba (área contínua que abrange Sergipe, Alagoas e o nordeste da Bahia), afetando as lavouras de feijão e o milho terceira safra. Em contrapartida, a estiagem no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) agilizou a maturação do algodão e da segunda safra de milho.
Nas áreas mais ao Norte, as chuvas volumosas ocorridas no Amazonas e em Roraima garantiram o bom desenvolvimento da soja e do milho terceira safra, enquanto o tempo seco no Pará, em Rondônia e no Tocantins favoreceu a colheita.
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