Um estudo desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC) com dados climáticos coletados entre 2000 e 2025 identificou grande variabilidade térmica entre os municípios do Estado de São Paulo. A pesquisa será apresentada durante o XXVIII Convegno Nazionale di Agrometeorologia, realizado em Florença, na Itália, e mostra que diversas regiões registraram episódios de frio mais intenso nos últimos anos, especialmente a partir de 2020.
Intitulado "Análise termopluviométrica do Estado de São Paulo, de 2000 a 2025: Mais de duas décadas de dados climáticos", o trabalho foi desenvolvido pelas pesquisadoras Angelica Prela Pantano e Jane Maria Carvalho Silveira. O levantamento analisou dados de temperatura e precipitação referentes ao mês de julho ao longo de mais de duas décadas.
Temperaturas mínimas mais baixas em várias regiões
De acordo com o estudo, algumas localidades registraram quedas expressivas nas temperaturas mínimas a partir de 2020 em comparação com o período entre 2000 e 2019. Em Auriflama, por exemplo, os termômetros passaram de 15,44°C para 1,3°C. Em Limeira, a mínima caiu de 9,63°C para 3,31°C, enquanto em Capivari a variação foi de 9,05°C para 4,14°C. Em Tatuí, a temperatura mínima passou de 8,98°C para 5,10°C.
Segundo a pesquisadora Angelica Pantano, os registros indicam a ocorrência de períodos pontualmente mais frios, especialmente durante a atuação de frentes frias. Ela destaca que as médias mínimas não apresentaram queda generalizada, mas eventos específicos de frio intenso foram observados em diversas regiões do estado.
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Ainda conforme o levantamento, o inverno de 2024 também apresentou temperaturas mínimas mais baixas em diferentes áreas paulistas, incluindo regiões tradicionalmente mais quentes, como o Noroeste do estado.
Diferenças climáticas entre as regiões
A pesquisa mostra que as menores temperaturas mínimas costumam ser registradas no Sul paulista e em áreas serranas. Já as maiores precipitações ocorrem com frequência na Serra do Mar e no Vale do Ribeira.
No início da série analisada, em 2000, as menores temperaturas mínimas foram registradas em Capivari, com 6,57°C, e em Ibiúna, com 6,61°C. Em 2001, Capivari voltou a registrar uma das menores marcas, com 6,72°C, enquanto Mirante do Paranapanema apresentou mínima de 7,2°C.
Segundo as pesquisadoras, as regiões montanhosas e o Sul do estado concentram os registros mais baixos, enquanto o Noroeste paulista costuma apresentar temperaturas mínimas mais elevadas.
Altitude explica parte das diferenças
Uma das explicações para a grande variabilidade climática observada no estado está na diferença de altitude entre as regiões. São Paulo possui áreas próximas ao nível do mar, no litoral, e regiões serranas que chegam a aproximadamente 1.800 metros de altitude.
Essa diversidade geográfica influencia diretamente as condições climáticas e reforça a importância da rede de monitoramento meteorológico mantida pelo IAC. Nos últimos 16 anos, o número de estações meteorológicas automáticas no estado passou de cerca de 70 para 230 unidades, ampliando significativamente a cobertura e a qualidade das informações coletadas.
De acordo com Angelica Pantano, a expansão da rede permitiu incorporar novos municípios ao monitoramento e utilizar equipamentos mais modernos, aumentando a precisão dos estudos climáticos realizados no estado.
Banco de dados centenário auxilia o agro
O IAC mantém um dos mais antigos bancos de dados climáticos do Brasil, com registros iniciados em 1890. Essas informações são utilizadas para orientar produtores rurais, apoiar o zoneamento agrícola, subsidiar operações de crédito e seguro rural e auxiliar órgãos públicos em ações relacionadas à seca, enchentes e outros eventos climáticos extremos.
Os dados também servem de base para pesquisas voltadas à adaptação da agricultura às mudanças climáticas e ao desenvolvimento de estratégias para aumentar a resiliência da produção agropecuária paulista.
