O estado do Paraná concluiu a semeadura da safra de trigo 2026 atingindo 100% da área projetada, somando 727,5 mil hectares cultivados, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/SEAB) compilados e analisados no boletim da TF Agroeconômica. Além do cumprimento do calendário de plantio, a safra paranaense desponta com a melhor qualidade sanitária e fisiológica da última década.
De acordo com o levantamento oficial, 97% das lavouras paranaenses estão classificadas em ótimas/boas condições e 3% em situação média, sem qualquer registro de áreas em condição ruim. O clima seco predominante em julho favoreceu o término das operações de máquinas e os tratos culturais nas fases iniciais de desenvolvimento vegetativo.
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Área e produção menores seguram mercado aquecido
Embora o desempenho das lavouras seja impecável até o momento, a área total dedicada ao trigo no Paraná registrou uma queda de 11% em relação aos 817 mil hectares semeados em 2025. Com isso, o potencial de colheita no estado foi estimado em 2,38 milhões de toneladas, volume inferior às 2,88 milhões de toneladas colhidas na temporada passada.
A redução de oferta paranaense soma-se ao forte encolhimento da área no Rio Grande do Sul (-29,22%, projetando 814 mil hectares). O cenário de menor disponibilidade regional sustenta o quinto mês consecutivo de valorização no mercado físico de grãos, com os preços pagos ao produtor paranaense ultrapassando a barreira dos R$ 70,00 por saca. No balcão de negociação dos moinhos, indicações CIF chegam a R$ 1.450/tonelada na região de Curitiba e atingem R$ 1.550/tonelada no Norte do estado.
Risco climático e paridade de importação
Apesar do ótimo início de ciclo, pesquisadores e consultores da TF Agroeconômica alertam para a ameaça no horizonte: modelos meteorológicos indicam 81% de probabilidade de um evento de El Niño de forte intensidade durante o segundo semestre. O excesso de chuvas no momento da floração ou colheita pode prejudicar o manejo sanitário e comprometer a qualidade farinheira (PH e incidência de brusone/DON).
No front de suprimento, os moinhos paranaenses já operam com margens espremidas e registram aumento no custo do produto importado. O trigo argentino nacionalizado via Paranaguá e embarques marítimos teve alta, cotado ao redor de US$ 310 por tonelada. Com isso, o cereal paranaense segue competitivo no mercado interno, enquanto produtores e moinhos acompanham atentos a evolução do clima para as próximas etapas de enchimento de grãos e maturação.
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