A intensa desvalorização registrada no mercado de ovos ao longo de julho levou as cotações da proteína ao seu menor patamar real para o mês desde 2019. De acordo com o acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), as médias acumuladas até a reta final do mês mostram recuos superiores a 15% na comparação com junho e perdas de até 18% frente a julho do ano passado.
A queda nos preços foi impulsionada por um desequilíbrio estrutural entre a produção e o consumo. Pelo lado da demanda, o fluxo de vendas nas distribuidoras e redes de varejo já era esperado menor devido ao período de férias escolares e ao aperto financeiro típico de meio de ano sobre as famílias.
Preço dos ovos despenca e registra menor média do ano
Exportações de ovos crescem em junho puxadas pelo mercado chileno
Contudo, a pressão sobre as tabelas de preços foi substancialmente mais severa do que em anos anteriores porque a produção de ovos nas granjas permaneceu em níveis bastante elevados. A alta disponibilidade do alimento forçou os avicultores a concederem descontos expressivos para tentar escoar a produção e evitar o acúmulo de estoques perecíveis.
Otimismo com a virada do mês
Apesar do cenário desfavorável registrado ao longo do mês, colaboradores consultados pelo Cepea relataram uma leve reação no ritmo das negociações na reta final de julho.
O setor demonstra otimismo com a transição para agosto. A entrada da massa salarial na economia, associada ao fim do recesso escolar e ao retorno das compras para a merenda, deve reaquecer o consumo e restabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda, favorecendo uma recuperação mais consistente nos preços do ovo no mercado interno.
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