O mercado brasileiro de trigo vive um momento de cautela, marcado pela redução de preços praticada por alguns moinhos e pelo ritmo mais lento das negociações. Segundo análise da TF Agroeconômica, a postura mais conservadora da indústria tem contribuído para travar o mercado, mesmo diante de fundamentos que seguem favoráveis para os preços internos.
Demanda segue seletiva
De acordo com a TF Agroeconômica, os moinhos continuam priorizando trigos de melhor qualidade, enquanto lotes com características medianas encontram mais dificuldade para negociação. No Rio Grande do Sul, a procura está concentrada em produtos com maior força de glúten, enquanto a demanda por trigos de padrão intermediário ocorre apenas de forma pontual.
A consultoria destaca que a percepção de menor disponibilidade de trigo até a chegada da próxima safra reduziu a pressa dos produtores em vender. Ainda assim, negócios pontuais seguem ocorrendo, especialmente para lotes considerados de melhor qualidade industrial.
Mercado interno encontra sustentação
Apesar das dificuldades momentâneas nas negociações, o mercado brasileiro apresenta fundamentos mais firmes que o cenário internacional. A redução da produção nacional, a diminuição dos estoques finais e a necessidade crescente de importações seguem oferecendo suporte aos preços domésticos.
Segundo a análise, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu a estimativa da safra brasileira de trigo para 6,3 milhões de toneladas, volume significativamente inferior às 7,87 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. O cenário reforça a dependência das importações e tende a sustentar os preços ao longo do segundo semestre.
Paraná mantém tendência positiva
A TF Agroeconômica observa que o mercado paranaense continua apresentando maior firmeza. O indicador do trigo no estado segue em canal de alta, impulsionado principalmente pela demanda por farinhas de qualidade superior e pela necessidade de abastecimento dos moinhos.
A consultoria avalia que, enquanto o mercado internacional continua pressionado pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e pelo aumento da oferta global, o cenário brasileiro permanece mais ajustado entre oferta e demanda, favorecendo a sustentação das cotações internas.
Para os próximos meses, a recomendação é que produtores evitem vendas agressivas, priorizando negociações escalonadas e aproveitando eventuais movimentos de valorização do mercado. Segundo a consultoria, a combinação de menor safra nacional, estoques reduzidos e maior dependência de importações tende a manter o trigo brasileiro em um patamar de preços relativamente firme ao longo do restante do ano.