CNA alerta para pressão nos custos da safra 2026/2027
Levantamento aponta queda nas importações de fertilizantes e aumento nos custos em meio às tensões no Oriente Médio
As tensões no Oriente Médio já começam a impactar o planejamento da próxima safra brasileira de grãos. Levantamento divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) nesta quinta-feira (21) mostra que os custos dos fertilizantes aumentaram e devem pressionar ainda mais o orçamento dos produtores rurais na safra 2026/2027.
Segundo a entidade, o momento é considerado decisivo para o setor, já que grande parte das compras de fertilizantes para a próxima temporada costuma ocorrer no segundo semestre.
Os dados apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o volume importado de fertilizantes nitrogenados e fosfatados caiu de 7,7 milhões para 7,4 milhões de toneladas, redução de 4% em comparação ao mesmo período do ano passado. Apesar da queda no volume, o desembolso do Brasil com importações aumentou 16%, refletindo os impactos do conflito e da alta dos custos logísticos.
Relação de troca preocupa produtores
De acordo com a CNA, o principal problema não está apenas no aumento do preço dos fertilizantes, mas na piora da relação de troca no campo. Isso significa que o produtor precisa entregar mais sacas de soja ou milho para adquirir a mesma quantidade de adubo.
A entidade destaca que o cenário atual é mais desafiador do que o observado em 2022, período marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele momento, apesar da disparada nos preços dos insumos, as commodities agrícolas estavam em patamares mais elevados.
Dados do projeto Campo Futuro mostram que o preço médio da ureia subiu cerca de 40% durante o período de tensão no Oriente Médio. Já o fertilizante MAP teve alta média de 20%. Em contrapartida, as cotações da soja e do milho seguem praticamente estáveis, com variações de apenas 0,9% e 0,1%, respectivamente.
Dependência externa amplia riscos
A CNA também reforça que a forte dependência externa do Brasil na importação de fertilizantes aumenta a vulnerabilidade do setor agropecuário diante de crises internacionais.
Atualmente, cerca de 93% dos fertilizantes utilizados no país são importados. Segundo a entidade, qualquer conflito armado, sanção comercial ou problema logístico internacional acaba refletindo rapidamente nos custos do produtor rural brasileiro.
Diante do cenário, o mercado vem passando por mudanças no perfil dos fornecedores. Em 2025, a China ultrapassou a Rússia e assumiu a liderança nas exportações de fertilizantes para o Brasil, respondendo por 26% do mercado. A Rússia aparece em seguida, com 25%, enquanto o Canadá representa 11%.
O levantamento também aponta aumento da participação de países como o Turcomenistão nas exportações de fertilizantes potássicos para o Brasil nos últimos meses.
