A possível inclusão da tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem gerado preocupação entre produtores e entidades ligadas à aquicultura. Embora a medida não represente a proibição do cultivo da espécie, o setor teme reflexos sobre crédito, licenciamento ambiental e competitividade da atividade.
A preocupação é especialmente relevante para estados produtores como a Bahia, que ocupa posição de destaque na aquicultura nacional. Segundo dados do IBGE, o estado produziu cerca de 12 mil toneladas de pescado em 2024, sendo a tilápia uma das principais responsáveis pelo desempenho do setor.
Atualmente, a espécie é cultivada em larga escala em diversas regiões do país, predominando em mais de 11 estados e no Distrito Federal. O peixe tem ganhado espaço tanto na produção quanto no consumo, consolidando-se como a principal espécie da piscicultura brasileira.
O que pode mudar para os produtores?
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a eventual inclusão da tilápia na lista serviria como referência técnica para orientar políticas públicas e ações de prevenção e controle ambiental. Apesar disso, representantes do setor produtivo avaliam que a classificação pode gerar consequências indiretas para a atividade.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta para possíveis efeitos como aumento da insegurança jurídica, maior burocracia nos processos de licenciamento ambiental, dificuldades de acesso ao crédito e potenciais impactos sobre as exportações.
A entidade também avalia que mudanças regulatórias podem elevar custos de produção e, consequentemente, refletir nos preços pagos pelos consumidores.
Debate envolve produção e conservação ambiental
A discussão ocorre no âmbito da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao MMA. Especialistas da área ambiental argumentam que a tilápia pode causar desequilíbrios ecológicos quando escapa para ambientes naturais, devido à sua elevada capacidade de adaptação, resistência e competição com espécies nativas.
Por outro lado, entidades do setor agropecuário defendem que o foco do debate deve estar no fortalecimento das medidas de biossegurança e não em restrições à espécie.
Para a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), os riscos de invasão biológica podem ser controlados por meio de estruturas adequadas de contenção, monitoramento ambiental, fiscalização e capacitação dos produtores.
A entidade argumenta que a atividade aquícola já dispõe de ferramentas capazes de reduzir significativamente os riscos ambientais associados ao cultivo da tilápia.
Entenda por que a espécie é considerada exótica
A tilápia é originária da bacia do Rio Nilo, na África, e por isso é considerada uma espécie exótica no Brasil. A classificação como invasora, no entanto, depende da comprovação de que sua presença fora do habitat natural provoca impactos ambientais, econômicos ou sociais relevantes.
O exemplo mais conhecido atualmente é o dos javalis, considerados espécie exótica invasora devido aos danos causados ao meio ambiente e à produção agropecuária.
Congresso reage à proposta
Em meio ao debate, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5.900/2025. A proposta determina que qualquer norma federal que afete espécies de interesse produtivo dependa de manifestação técnica obrigatória dos ministérios ligados à Agricultura ou à Pesca.
O texto segue agora para análise do Senado e deve ampliar a discussão sobre os impactos econômicos e ambientais relacionados ao cultivo da tilápia no Brasil.
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