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Chuva em região produtora de soja cessa e colheita chega a 91% no RS

Chuva deu uma trégua justamente em regiões onde a operação estava mais atrasada

Chuva em região produtora de soja cessa e colheita chega a 91% no RS
Na Metade Norte, onde a colheita estava próxima da finalização, houve comprometimento das lavouras devido às garoas e ao excesso de umidade
Foto do autor Gustavo Paes
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Apesar do predomínio de dias nublados, na semana passada a ocorrência de chuvas foi menos frequente e em volumes acumulados baixos nas regiões Sul, Centro e Oeste do Rio Grande do Sul, o que possibilitou a retomada da colheita, justamente onde a operação estava mais atrasada.

Na Metade Norte, onde a colheita estava próxima da finalização, houve comprometimento das lavouras devido às garoas e ao excesso de umidade. No entanto, mesmo nas regiões onde as precipitações foram menores, os solos permanecem saturados de umidade, prejudicando a atividade. A área colhida alcançou 91%, conforme levantamento divulgado nesta quinta-feira pela Emater-RS/Ascar.

Nas áreas em colheita, além das perdas por grãos germinados, mofados e pela debulha natural, que aumentam a cada dia de atraso, os custos têm sido elevados em razão da realização da colheita em solo úmido, levando à utilização parcial dos graneleiros, em função do excesso de peso, para evitar danos na locomoção.

A entrega da oleaginosa nas unidades de secagem e armazenamento também foi impactada, especialmente nos primeiros dias de retomada da colheita, em razão da alta umidade dos grãos, muitas vezes próxima a 30%. Para a armazenagem adequada, é necessário reduzir a umidade para cerca de 14%, mas a capacidade dos secadores é limitada.

As cooperativas com unidades de recebimento nas regiões Central e Campanha Gaúcha têm transportado os grãos para realizar a secagem nas sedes localizadas no Planalto Médio em decorrência da alta demanda de tempo e lenha para a combustão nos locais de colheita.

As perdas nas lavouras colhidas, após o período chuvoso, são elevadas, mas observa-se que, naquelas implantadas mais tardiamente, cujo ciclo se encerrou há poucos dias, o índice de grãos avariados ou germinados é menor.

A estimativa de produtividade projetada inicialmente era de 3.329 quilos por hectare, porém deverá variar negativamente, dependendo dos resultados dos levantamentos que estão sendo realizados nas áreas a serem colhidas e perdidas.

Regiões - Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Campanha, houve cinco dias úteis para a colheita. Contudo, os produtores enfrentam grandes desafios operacionais em relação a máquinas colhedoras, como atolamento, problemas mecânicos, dificuldades em manter as plataformas de corte rentes ao solo e formação de rastros profundos com o rodado

Nas unidades de secagem, as filas foram extensas, levando até três dias para realizar a descarga e, consequentemente, causando a interrupção da colheita pela falta de caminhões. No município de Bagé, estima-se que ainda restam 35% por colher; e em Aceguá, 30%. Em Dom Pedrito, 51% foram colhidos, e a produtividade média é de 1.680 quilos por hectare, mas os descontos por grãos avariados aumentaram significativamente nos últimos dias.

Na Fronteira Oeste, a colheita avançou, mas as produtividades continuam em declínio em função das condições adversas durante o enchimento de grãos e do excesso de umidade recente. Em Alegrete, as produtividades variam entre 1,2 mil e 2.1 mil quilos por hectare nas melhores lavouras, e cerca de 35% ainda estão por colher.

Em Manoel Viana, a colheita está próxima da conclusão, mas as perdas provocadas pelas chuvas ultrapassam 50%. Em São Borja, estima-se que 90% da colheita esteja concluída, mas algumas áreas foram totalmente perdidas devido a alagamentos prolongados. Em São Gabriel, em torno de 85% da área foi colhida, e as perdas são consideráveis nessas lavouras, levando muitos produtores a abandonar aquelas próximas a cursos dágua em decorrência das dificuldades de acesso e da baixa produtividade.

Na de Caxias do Sul, aproximadamente 250 mil hectares foram cultivados, dos quais cerca de 40 mil ainda permaneciam sem colher, quando as chuvas se intensificaram, afetando-os severamente. Embora muitas áreas tenham sido colhidas durante os curtos períodos de tempo firme, a alta umidade ocasionou manchas e a germinação dos grãos, reduzindo o valor comercial do produto e aumentando os descontos por parte dos compradores. Cerca de 20 mil hectares ainda não puderam ser colhidos, sofrendo deterioração total dos grãos, que inviabilizou a colheita.

Na de Erechim, 98% foram colhidos, restando apenas 2% com grãos maduros. Aguardam-se condições climáticas e de solo adequadas para realizar a colheita. Porém, parte dos grãos remanescentes apresenta perdas. Nas áreas ocupadas por soja durante o verão, observam-se danos significativos causados pela erosão, especialmente em função da exposição dos solos durante períodos chuvosos.

Na de Frederico Westphalen, a colheita está praticamente concluída: 99% efetuada, e 1% com grãos maduros, prontos para serem colhidos. A produtividade tem apresentado variações significativas desde o início da operação; a estimativa final situa-se em torno de 3,6 mil quilos por hectare. Apesar das dificuldades impostas pelas chuvas, algumas colheitas foram realizadas, porém a qualidade dos grãos tem sido inferior.

Na de Ijuí, a elevada umidade impediu a continuidade da colheita. Das lavouras semeadas em 2023, restam pequenas áreas nas partes mais baixas do relevo, onde ainda há acúmulo de água, e o tráfego de máquinas é extremamente difícil. As perdas são substanciais, chegando a inviabilizar economicamente a colheita.

O longo período de alta umidade comprometeu a qualidade dos grãos e a produtividade das lavouras de segundo cultivo. Entretanto, de modo geral, a safra é considerada satisfatória, pois a área plantada está estimada em aproximadamente 970 mil hectares, e a produtividade está em torno de 3,6 mil quilos por hectare nos 97% já colhidos.

Na de Pelotas, a colheita foi retomada à medida que as lavouras apresentavam condições adequadas para o tráfego das colhedoras. A operação foi realizada de forma intensa, apesar de a umidade dos grãos variar entre 22% e 34%. A umidade elevada provocou a saturação dos secadores e armazenadores, represando grãos e gerando perdas adicionais na qualidade de soja armazenada nos caminhões.

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