Algodão tem maior alta mensal desde agosto de 2022

Mercado interno ganhou força em março com vendedores firmes, demanda aquecida e apoio do cenário externo, elevando o Indicador CEPEA/ESALQ ao maior avanço mensal desde agosto de 2022
Algodão tem maior alta mensal desde agosto de 2022
Preços do algodão em pluma avançaram em março e registraram a maior alta mensal em mais de três anos.
Foto do autor Jair Reinaldo
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O mercado do algodão em pluma ganhou força em março e registrou o maior avanço mensal em mais de três anos. Após um período de relativa estabilidade, os preços voltaram a subir com intensidade, impulsionados pela postura firme dos vendedores, pelo aquecimento da demanda e pelo suporte do mercado internacional.

Com esse movimento, o Indicador CEPEA/ESALQ se aproximou de R$ 3,90 por libra-peso, alcançando a maior alta mensal desde agosto de 2022. O desempenho reacende a atenção do setor para o comportamento da comercialização da fibra e para os desdobramentos sobre a rentabilidade da safra.



Mercado interno reagiu com mais força em março

Segundo pesquisadores do Cepea, ao longo de março os vendedores mantiveram postura mais firme nas negociações, acompanhando a valorização do mercado externo e evitando ceder nos preços. Esse posicionamento contribuiu para limitar a oferta disponível no mercado spot e dar sustentação às cotações domésticas.

Do lado da demanda, o ritmo também foi mais ativo. Tanto agentes da indústria nacional quanto tradings exportadoras ampliaram a atuação no mercado, reforçando a disputa por lotes e elevando a pressão compradora ao longo do mês.

Esse ambiente de maior equilíbrio entre oferta restrita e demanda aquecida ajudou a consolidar o avanço das cotações internas, encerrando um período de menor movimentação e trazendo novo fôlego para o mercado da pluma.

Cenário externo e custos deram suporte à alta

Além da maior movimentação interna, o mercado brasileiro também foi influenciado por fatores externos e logísticos. A valorização internacional do petróleo contribuiu para aumentar os custos de transporte e pressionar o frete, fator que impacta diretamente a cadeia de comercialização da fibra.

Outro ponto de sustentação veio do próprio mercado internacional, que serviu de referência para os vendedores no Brasil. Com preços externos em alta, o ambiente se tornou mais favorável para manutenção de valores mais firmes também no mercado doméstico.

De acordo com o Cepea, o elevado comprometimento da safra 2024/25 foi outro fator relevante nesse contexto, já que parte importante da produção já está negociada, o que reduz a disponibilidade imediata e dá mais sustentação às cotações.

Alta reforça atenção sobre comercialização da safra

O avanço registrado em março pode influenciar a estratégia comercial dos produtores e demais agentes da cadeia, especialmente em um momento em que o mercado volta a mostrar sinais mais claros de valorização.

Para o produtor, o movimento pode representar melhora nas oportunidades de venda, principalmente diante de um ambiente em que a oferta disponível está mais ajustada e os compradores seguem ativos. Já para a indústria e para as tradings, o cenário exige atenção redobrada ao custo de reposição e ao ritmo das negociações.

A evolução das cotações nas próximas semanas deve continuar atrelada ao comportamento da demanda, à dinâmica do mercado externo e à disponibilidade de lotes remanescentes da safra, fatores que podem manter o algodão em evidência no radar do setor.

Setor acompanha próximos movimentos do mercado

Depois de meses de preços mais acomodados, março marcou uma virada importante para o algodão em pluma. A maior alta mensal desde agosto de 2022 mostra que o mercado voltou a reagir com mais intensidade, em um contexto de oferta mais comprometida, compradores ativos e sustentação externa.

Para o agro, o cenário reforça a importância de acompanhar de perto os indicadores e o ritmo da comercialização, já que o comportamento da pluma pode abrir novas oportunidades de negociação e influenciar diretamente as margens da atividade.

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