Abrapa se posiciona contra fim da taxa das blusinhas

Entidade afirma que manter a tributação sobre remessas internacionais de baixo valor ajuda a preservar a competitividade da indústria nacional e fortalece a cadeia do algodão no Brasil
Abrapa se posiciona contra fim da taxa das blusinhas
Abrapa aderiu a manifesto em defesa da manutenção da taxa sobre remessas internacionais e destacou impactos positivos para a cadeia do algodão. Foto: Abrapa / Divulgação
Foto do autor Jair Reinaldo
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A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) formalizou adesão ao manifesto contrário à possível extinção da chamada “taxa das blusinhas”, medida que instituiu a cobrança de tributos sobre produtos importados comercializados por plataformas estrangeiras de e-commerce. A movimentação reforça a posição do setor produtivo em defesa da manutenção da política tributária aplicada às remessas internacionais de baixo valor.

A discussão ocorre em meio a debates no governo federal sobre uma eventual revisão das regras de tributação sobre esse tipo de importação. Para a Abrapa, a retirada da cobrança pode representar um retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente para segmentos diretamente expostos à concorrência internacional, como os setores têxtil e de vestuário, ambos fortemente ligados à produção de algodão no país.



Na avaliação da entidade, a preservação da tributação é uma medida que contribui para garantir maior equilíbrio competitivo entre a indústria nacional e as plataformas internacionais, além de dar mais previsibilidade aos investimentos em setores estratégicos para a economia brasileira.

Setor vê risco para a cadeia produtiva nacional

Ao aderir ao manifesto, a Abrapa se somou a outras entidades representativas da indústria e do varejo que defendem a continuidade da cobrança sobre remessas internacionais. O argumento central é que a tributação tem papel importante na busca por isonomia tributária, evitando distorções competitivas que possam enfraquecer a produção nacional.

Segundo o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a possível extinção da medida representa um risco concreto para setores que dependem da competitividade da indústria brasileira. Para a cadeia do algodão, esse cenário ganha relevância ainda maior, já que o desempenho da indústria têxtil nacional influencia diretamente a demanda por matéria-prima produzida no campo.

A entidade destaca que o fortalecimento da indústria de transformação ajuda a consolidar o algodão brasileiro como insumo estratégico dentro da cadeia produtiva, sustentando mercado para os produtores e ampliando a conexão entre o campo e o setor industrial.

Manifesto destaca reflexos econômicos e fiscais

O documento apoiado pela Abrapa sustenta que o fim da isenção tributária, iniciado em 2023 com a cobrança de ICMS sobre remessas internacionais de baixo valor e ampliado em 2024 com a instituição do imposto de importação, trouxe reflexos positivos para a economia.

Entre os resultados citados estão a geração de empregos, a retomada do crescimento em segmentos da indústria e do varejo e o aumento da arrecadação federal. Dados mencionados no manifesto apontam que, desde a implementação das medidas, o comércio criou cerca de 860 mil empregos diretos, enquanto a indústria gerou outros 578 mil postos formais.

No campo fiscal, as entidades também ressaltam o impacto da política atual. De acordo com os números apresentados, o comércio recolheu R$ 246 bilhões em tributos federais em 2024, com acréscimo de R$ 36,9 bilhões em relação ao ano anterior. Já a arrecadação com o imposto de importação sobre remessas internacionais somou cerca de R$ 5 bilhões em 2025. Segundo as estimativas do manifesto, uma eventual reversão da política poderia resultar em perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União.

Consumo segue forte e debate ganha dimensão internacional

Outro ponto defendido pelas entidades signatárias é que a chamada “taxa das blusinhas” não reduziu o interesse dos consumidores pelas plataformas internacionais, mas ajudou a equilibrar a concorrência com o varejo nacional. Pesquisa citada no manifesto indica que a maior parte dos consumidores manteve ou até ampliou as compras em plataformas estrangeiras, mesmo após a tributação, enquanto uma parcela passou a direcionar parte do consumo para o mercado interno.

Na visão do setor produtivo, a manutenção da medida é considerada essencial para garantir segurança jurídica e previsibilidade para novos investimentos. A expectativa das entidades é que apenas o comércio movimente cerca de R$ 100 bilhões em investimentos no Brasil em 2026, volume que poderia ser impactado caso haja mudanças no atual modelo tributário.

O manifesto também insere o debate brasileiro em um cenário internacional mais amplo. Países como Estados Unidos e integrantes da União Europeia vêm adotando medidas semelhantes para tributar remessas internacionais e proteger suas cadeias produtivas diante do avanço de grandes plataformas globais de e-commerce.

Com a adesão da Abrapa, o setor algodoeiro reforça a avaliação de que a manutenção da tributação sobre importados de baixo valor é estratégica não apenas para a indústria e o varejo, mas também para o campo, ao preservar a competitividade de uma cadeia que conecta produção agrícola, transformação industrial e geração de renda no país.

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