Chegada das pastagens de inverno exige manejo sanitário no RS

Estimados em R$ 70 bilhões por ano no Brasil, danos invisíveis causados por endo e ectoparasitas ameaçam a rentabilidade do rebanho na transição de safra
Chegada das pastagens de inverno exige manejo sanitário no RS
A desparasitação estratégica na entrada do gado nos piquetes de inverno protege o ganho de peso diário. Foto: Divulgação
Foto do autor Fernando Teixeira
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A implantação e utilização das pastagens de inverno configuram uma das janelas cronológicas mais estratégicas para a engorda e o manejo de bovinos de corte e leite no Rio Grande do Sul. No entanto, a transição entre as estações e a consequente introdução do rebanho em novas áreas de pastejo acionam um alerta sanitário crucial: o risco de infestações parasitárias severas. Estudos do setor apontam que os prejuízos globais causados por parasitas internos e externos na pecuária brasileira rompem a barreira de R$ 70 bilhões anuais, operando como um ralo silencioso na conversão alimentar e na lucratividade das fazendas.

Durante o início do ciclo das forragens de clima frio, as condições ambientais e o adensamento de carga animal nos piquetes podem potencializar a exposição dos bovinos a formas infectantes (larvas e ovos) presentes na base do solo e das plantas. Quando o controle preventivo é negligenciado dentro do calendário de manejo, os parasitas passam a comprometer diretamente o ganho de peso médio diário (GMD), a eficiência reprodutiva e a capacidade de absorção de macro e micronutrientes, neutralizando os investimentos realizados pelo pecuarista em genética e pastagens de alto valor biológico.



Desafios climáticos e o impacto na imunidade

O período de pastejo invernal em solo gaúcho impõe desafios metabólicos adicionais aos plantéis. A ocorrência sistemática de geadas, o excesso de umidade na lâmina foliar e as oscilações bruscas na qualidade nutricional das forrageiras exigem respostas imunológicas complexas dos animais. Nesse cenário de estresse climático, assegurar que os animais entrem nos piquetes protegidos e limpos de endectocidas e nematódeos gastrointestinais é o que determina se o lote conseguirá extrair o potencial máximo de proteína e energia disponível no pasto.

Especialistas em saúde animal ressaltam que o controle parasitário contemporâneo superou a antiga visão de caráter meramente curativo — aplicada apenas quando os sintomas clínicos ou as altas infestações visuais se manifestam. A governança sanitária de precisão exige abordagens preventivas e o uso de princípios ativos estratégicos com amplo espectro e efeito residual prolongado (como a doramectina, o levamisole e a moxidectina). A rotação técnica e consciente dessas moléculas atua de forma cirúrgica na quebra do ciclo evolutivo das pragas e previne o avanço da resistência parasitária nas pastagens.

Assistência técnica e planejamento preditivo

Para mitigar o impacto financeiro nas propriedades, os pecuaristas têm buscado suporte técnico especializado para desenhar programas de sanidade customizados, alinhados à realidade epidemiológica de cada microrregião do estado. A combinação de exames periódicos (como o OPG - Ovos por Grama de Fezes), monitoramento constante dos lotes e cronogramas de dosificação planejados cria uma blindagem biológica eficiente. Essa estrutura permite uma atividade pecuária mais sustentável, blindando o caixa do produtor contra perdas imperceptíveis e preparando o rebanho para os picos de produção de carne e leite ao longo de todo o ano.

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