A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 quilos, volume 18% superior ao registrado na temporada passada e o maior já estimado na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados fazem parte do 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado nesta quinta-feira (21).
Se confirmada ao final do ciclo, a produção vai superar o recorde anterior de 63,08 milhões de sacas registrado em 2020. O avanço da safra é impulsionado principalmente pela bienalidade positiva das lavouras de arábica, pela entrada de novas áreas em produção e pelas condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das plantas.
A área total destinada ao café também deve crescer 3,9%, chegando a 2,34 milhões de hectares. Desse total, 1,94 milhão de hectares estarão em produção. Já a produtividade média nacional é estimada em 34,4 sacas por hectare, recuperação de 13% frente à safra anterior.
Arábica lidera crescimento da safra
A produção de café arábica deve atingir 45,8 milhões de sacas, alta de 28% sobre o ciclo anterior e terceira maior já registrada pela Conab. Segundo a estatal, o desempenho reflete o ciclo favorável da cultura aliado às boas condições climáticas observadas durante o desenvolvimento das lavouras.
Já o café conilon deve alcançar 20,9 milhões de sacas, crescimento mais moderado, de 0,8%. A expansão da área cultivada compensou a queda de produtividade observada em parte das regiões produtoras.
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Minas lidera produção nacional
Principal produtor de café do país, Minas Gerais deve colher 33,4 milhões de sacas das duas variedades, aumento de 29,8% em relação à safra passada. A Conab destaca que a melhor distribuição das chuvas antes da florada e o clima favorável até março contribuíram para uma boa formação dos grãos e recuperação da produtividade.
No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve chegar a 18 milhões de sacas, avanço de 3%. O arábica apresenta forte recuperação, enquanto o conilon sofre leve recuo após o elevado desempenho obtido em 2025.
A Bahia também deve registrar crescimento, com produção estimada em 4,7 milhões de sacas, alta de 5,9%. O resultado é atribuído à regularidade climática, investimentos em manejo e ampliação das áreas produtivas.
Em São Paulo, a safra de arábica pode crescer 24,6%, chegando a 5,9 milhões de sacas. Rondônia, destaque nacional no conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, avanço de 19,4%, impulsionado pelo uso de materiais clonais mais produtivos e pelo clima favorável.
Exportações e mercado internacional
Apesar da perspectiva positiva para a produção, as exportações brasileiras acumulam queda em 2026. Entre janeiro e abril, o Brasil embarcou 11,5 milhões de sacas, recuo de 22,5% na comparação anual, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A redução é atribuída ao baixo nível dos estoques internos, consequência das limitações produtivas das últimas safras e da demanda internacional aquecida. A expectativa, porém, é de recuperação dos embarques no segundo semestre com a entrada da nova safra.
No cenário global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta aumento de 2% na produção mundial de café em 2025/26, para 178,8 milhões de sacas. Mesmo assim, o mercado ainda trabalha com estoques apertados e demanda global crescente, o que deve limitar quedas mais intensas nas cotações internacionais.
