Fortes ventos e volumes de chuva significativamente acima da média histórica para o mês de julho acenderam o sinal de alerta entre os citricultores e indústrias do cinturão citrícola paulista. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), as intempéries registradas ao longo do mês podem provocar perdas por queda mecânica de frutos, afetar a qualidade das laranjas e atrasar o ritmo dos trabalhos de colheita no campo.
Pesquisadores do Cepea destacam que a ocorrência de precipitações volumosas em pleno mês de julho é um fenômeno totalmente atípico para o ecossistema produtivo de São Paulo e do Triângulo Mineiro, regiões que habitualmente enfrentam um período de estiagem severa e tempo seco nesta época do ano.
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O excesso de umidade traz desdobramentos diretos para a qualidade do produto. A diluição de açúcares reduz o índice Brix — parâmetro fundamental para o rendimento na produção de suco de laranja concentrado e para o sabor da fruta destinada ao mercado de mesa. Além disso, o solo encharcado dificulta a entrada de máquinas e equipes nos pomares, paralisando temporariamente os embarques para as fábricas.
Greening e o contraponto para a próxima safra
Esse quadro produtivo adverso soma-se a um cenário operacional que já vinha bastante pressionado pelo avanço do greening (HLB). A doença bacteriana, considerada a maior ameaça à citricultura global, provoca a queda fisiológica prematura dos frutos e reduz o tamanho das laranjas, minguando o potencial da safra atual.
Por outro lado, os analistas do Cepea ponderam que o evento climático não traz apenas impactos negativos. A maior disponibilidade de água armazenada no solo neste momento pode atuar como um estímulo positivo para a indução floral e para a nutrição das plantas, favorecendo o pegamento da florada e o desenvolvimento inicial da próxima safra.
A dimensão exata dos estragos e os reflexos finais no volume colhido do ciclo atual seguem sob constante avaliação pelos técnicos nas diferentes regiões do cinturão.
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