O agronegócio e a indústria do Rio Grande do Sul enfrentam um novo e complexo gargalo comercial. A decisão do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversas importações de produtos brasileiros. Amparada pela Seção 301 da Lei de Comércio americana (Trade Act de 1974), a tarifa extraordinária entra em vigor no dia 22 de julho e afeta diretamente as mercadorias que ficaram de fora da lista de isenções de Washington.
De acordo com Nota Técnica divulgada pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o estado está muito mais exposto à barreira tarifária do que a média nacional. Enquanto a medida atinge 38% do valor total das vendas brasileiras aos EUA (cerca de US$ 14,33 bilhões), no Rio Grande do Sul a taxação alcança expressivos 79% das vendas gaúchas ao mercado americano, somando US$ 1,30 bilhão sob risco.
No recorte do agronegócio, o abismo regional se repete. A fatia da pauta agropecuária brasileira impactada pelas novas regras é de 32,7%. No entanto, para o produtor gaúcho, essa exposição salta para 70,4% devido à forte dependência de produtos que agora integram o rol dos sobretaxados.
Fumo, madeira e calçados sob pressão direta
Os economistas da Farsul projetam que o impacto tarifário potencial — calculado com base nos fluxos comerciais consolidados de 2025 — pode chegar a US$ 325 milhões para o conjunto das exportações gaúchas aos EUA, sendo US$ 135 milhões concentrados unicamente no agronegócio do estado.
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O setor de tabaco é a principal fonte de preocupação. O fumo não manufaturado (do tipo Virgínia) lidera o ranking de risco de mercado no agro do estado, acompanhado de perto pela madeira serrada de pinus, calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino. Juntos, esses cinco produtos representam 64% de toda a pauta gaúcha afetada pelas novas tarifas.
Isenções trazem alívio a couro e café
Apesar do cenário adverso, a versão final da lista de exclusões do USTR foi ampliada em relação ao rascunho de junho, amortecendo parte do impacto financeiro. Ficaram isentos do imposto de 25% produtos de peso na balança como couros bovinos, ferro-gusa, mel orgânico, pescados, café solúvel sem sabor e resíduos de sucata de ferro e aço.
Essa flexibilização de última hora reduziu a fatia geral de exportações afetadas no Brasil de 43,7% para 38%. No Rio Grande do Sul, a parcela sob taxação recuou ligeiramente de 81,1% para 79%.
A assessoria técnica da Farsul alerta que os números de impacto tarifário estimado não equivalem a prejuízo financeiro imediato na mesma proporção. A tendência é de que o mercado reaja de formas distintas, combinando redução de margens operacionais dos exportadores, repasse de preços ao comprador americano ou o desvio do fluxo de comércio gaúcho para destinos alternativos.
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