De acordo com o levantamento de mercado divulgado pela TF Agroeconômica, o comércio de trigo na Região Sul atravessa um momento de transição marcado pela escassez de lotes locais e pela forte pressão dos custos de importação. Com os moinhos necessitando recompor estoques para manter o ritmo de moagem, a valorização do trigo argentino atua como o principal balizador de preços nas praças sulistas.
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No mercado paranaense, as cotações do cereal negociado em lote ultrapassaram a marca dos R$ 1.400,00 por tonelada, gerando sérias dificuldades de margem para as indústrias de moagem. Segundo analistas da TF Agroeconômica, para que os moinhos obtivessem margens operacionais adequadas na venda de farinhas, a matéria-prima precisaria estar cotada entre R$ 1.250,00 e R$ 1.280,00 por tonelada.
O valor do trigo nas praças do Paraná foi balizado por negócios a R$ 1.450,00 CIF moinho na região de Curitiba e Campos Gerais. No Norte do estado, os lotes do spot chegaram a indicar entre R$ 1.530,00 e R$ 1.550,00 CIF (aproximadamente R$ 1.500,00 FOB).
O grande vetor dessa elevação foi o reajuste do cereal importado: o trigo argentino com 11% de proteína nacionalizado no Porto de Paranaguá saltou para US$ 310,00 por tonelada, alta de 6,16% motivada pela resistência de vendas na origem. Para a safra nova, as ideias de preços orbitam R$ 1.400,00 CIF, mas os produtores rurais permanecem retraídos nas negociações devido às incertezas com o clima.
Santa Catarina: estoques locais praticamente zerados
Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo catarinense do ciclo passado praticamente se esgotou nas cooperativas e cerealistas entre Campos Novos e Xanxerê. Os últimos lotes estaduais foram reportados a R$ 1.350,00 FOB mais frete.
A alternativa dos moinhos catarinenses tem sido a busca por trigo gaúcho, ofertado entre R$ 1.340,00 e R$ 1.400,00 FOB, somado ao frete e ao ICMS interestadual. Diante dos custos elevados, as indústrias enfrentam travamento nas vendas de farinha após tentarem reajustes de 5%. Em contrapartida, o mercado de subprodutos apresentou reação positiva, com o farelo de trigo ensacado negociado a R$ 1,10 por quilo na região.
Rio Grande do Sul: cotações sustentadas e alerta de qualidade
No mercado gaúcho, as negociações fluem de forma pontual para entrega em agosto e pagamento diferido para setembro, com a média do interior fixada em R$ 1.300,00 por tonelada e o trigo melhorador atingindo R$ 1.350,00. O cereal de maior qualidade posto no moinho opera em torno de R$ 1.460,00 CIF, enquanto o trigo padrão roda em R$ 1.380,00 CIF.
No estado, o trigo argentino nacionalizado na região de Canoas subiu 6,2%, alcançando US$ 292,00 por tonelada. Outro ponto de atenção relatado pelos moinhos gaúchos nesta reta final de estoques da safra velha refere-se aos problemas de qualidade pontuais com elevados níveis de contaminação por DON (desoxinivalenol) nos lotes remanescentes.
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