A atualização mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgada em abril, trouxe ajustes importantes nas estimativas de oferta e demanda da soja para a safra 2024/25. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário americano mostra estoques finais mais baixos, enquanto no mercado global houve aumento nos estoques, mesmo com a redução na produção mundial.
Estados Unidos: esmagamento maior e estoques menores
Nos Estados Unidos, a previsão de fornecimento e uso de soja em 2024/25 indica aumento no esmagamento e nas importações, com redução nos estoques finais. O esmagamento foi elevado em 272,15 mil toneladas, atingindo 120,29 milhões de toneladas, impulsionado pelo maior uso doméstico de farelo e exportações de óleo de soja.
Apesar da elevação nas exportações de óleo de soja, o uso para biocombustíveis foi reduzido com base no ritmo atual. No entanto, a expectativa para o restante do ano é de aumento nesse segmento, devido a tarifas que restringem importações de outras matérias-primas para biocombustíveis, como o óleo de cozinha usado.
Com exportações inalteradas e leve aumento nas importações, os estoques finais da soja americana foram reduzidos em 136,07 mil toneladas, somando agora 10,21 milhões de toneladas. O preço médio da soja segue estável em US$ 9,95 por bushel. Já o preço do farelo foi reduzido em US$ 10, para US$ 300 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja teve alta de 2 centavos, passando para 45 centavos por libra.
Mercado global: estoques maiores mesmo com produção menor
No cenário global, as previsões para 2024/25 apontam para estoques iniciais mais altos, produção ligeiramente menor, além de aumento nas exportações, no esmagamento e nos estoques finais. O USDA elevou os estoques iniciais em 2,7 milhões de toneladas, reflexo da revisão da safra brasileira de 2023/24, que passou para 154,5 milhões de toneladas — um acréscimo de 1,5 milhão.A produção global foi reduzida em 0,2 milhão de toneladas, principalmente devido à menor colheita na Bolívia. Por outro lado, houve aumento na produção da África do Sul, Emirados Árabes Unidos e União Europeia. O esmagamento global subiu 2 milhões de toneladas, atingindo 354,8 milhões, com destaque para altas no Brasil, Argentina, Ucrânia e EUA. A maior disponibilidade global de farelo de soja, aliada a preços mais baixos e menor oferta de farelos alternativos, impulsionou o consumo global.
Por outro lado, a produção mundial de óleo vegetal foi reduzida em 0,9 milhão de toneladas, totalizando 228,1 milhões. O corte foi motivado pela queda na produção de óleo de palma, estimada em 78,2 milhões de toneladas, devido à redução na Indonésia, Malásia e Tailândia.
As exportações globais de soja aumentaram 0,2 milhão de toneladas, para 182,1 milhões, com avanços para o Canadá e a Nigéria, mas queda para a Ucrânia. Já os estoques finais globais cresceram 1,1 milhão de toneladas, totalizando 122,5 milhões, puxados por aumentos no Brasil e na União Europeia.