Leite deve ter melhor remuneração ao produtor no Paraná

Boletim do Deral aponta avanço nos preços dos lácteos no varejo e indica perspectiva de aumento no valor pago ao produtor, em meio a ajustes em diferentes cadeias do agro paranaense
Leite deve ter melhor remuneração ao produtor no Paraná
Alta dos preços dos lácteos no varejo pode refletir em melhor remuneração ao produtor de leite no Paraná Foto: Arnaldo Alves - SECS
Foto do autor Jair Reinaldo
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O mercado do leite no Paraná começa abril com perspectiva mais positiva para o produtor rural. De acordo com o Boletim Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o cenário atual projeta aumento na remuneração paga pelo litro do leite entregue às indústrias, após a alta observada nos preços dos produtos lácteos no varejo.

Segundo o levantamento, o leite longa vida registrou valorização de 17% nas gôndolas, enquanto o leite em pó teve aumento de 8,8%, com preço médio de R$ 4,52. Apesar disso, o repasse ao produtor ainda não ocorreu de forma imediata. Conforme o médico-veterinário e analista do Deral, Thiago De Marchi, os prazos de pagamento da indústria ainda impedem uma reação instantânea no campo, mas a tendência já é de valorização nas próximas entregas.



A leitura do Deral é de que o avanço dos preços ao consumidor pode abrir espaço para uma recuperação da renda na atividade leiteira, o que traz alívio para os produtores em um momento de ajustes em diversas cadeias do agronegócio paranaense.

Proteínas mantêm força e reforçam desempenho do Paraná

Além do leite, o boletim destaca o bom desempenho do segmento de proteínas animais no Estado. Na suinocultura, o Paraná ampliou em 57,7% a produção de carne suína nos últimos dez anos, passando de 777,74 mil toneladas em 2016 para 1,23 milhão de toneladas em 2025.

O dado chama atenção porque o crescimento da produção superou a expansão do rebanho, o que indica ganhos de eficiência dentro da atividade, com maior peso de abate e evolução nos índices produtivos. Em nível nacional, a produção de carne suína também avançou, com alta de 52,4% no mesmo período.

No comércio exterior, a avicultura segue em posição de destaque. No primeiro bimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne de frango renderam US$ 1,788 bilhão, crescimento de 7,7% em faturamento. O Paraná manteve protagonismo e respondeu sozinho por 42,9% do volume total exportado pelo país, reforçando sua liderança na geração de divisas dentro do setor.

O boletim também aponta forte avanço no segmento de perus. A receita cambial nacional cresceu 107,6%, puxada pela valorização do preço médio da carne in natura, que subiu 97,8% em relação ao ano anterior.

Cebola, milho e mandioca refletem ajustes no campo

Entre as culturas agrícolas, a cebola aparece como exemplo do impacto da tecnologia sobre a produtividade e os preços. Mesmo com uma redução de 12,8% na área plantada em comparação a 2015, o Brasil registrou aumento de 16,1% no volume colhido em 2024, o que representa avanço de 33,1% na produtividade.

No Paraná, os reflexos também foram sentidos no mercado. O preço pago ao produtor saltou de R$ 0,82 por quilo em fevereiro para R$ 1,18 em março, avanço de 44,9%. No varejo, a cebola pera nacional também subiu com força: as cotações passaram de R$ 1,75 para R$ 2,50 por quilo ao longo de março, alta de 42,9% em menos de 30 dias.

No milho, o plantio da segunda safra 2025/26 se aproxima do fim e já alcança 99% dos 2,86 milhões de hectares previstos. Embora 91% das lavouras estejam em boas condições, o Deral alerta para os efeitos negativos das chuvas irregulares e das ondas de calor registradas em março. Segundo o boletim, 8% das áreas estão em condição mediana e 1% em situação ruim, o que pode resultar em produção abaixo da projeção inicial.

Já a mandioca segue em um cenário de readequação. Mesmo com custos elevados de arrendamento e preços 21% menores no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, a expectativa é de crescimento de 6% na área colhida em 2026. A produção pode superar 4 milhões de toneladas no Estado.

Segundo o Deral, muitos produtores têm optado por manter as lavouras para um segundo ciclo, buscando compensar as margens mais apertadas com ganho de produtividade. O movimento mostra que, apesar dos desafios de mercado, a mandiocultura paranaense ainda enxerga espaço para expansão com base em decisões mais estratégicas dentro da propriedade.

Com isso, o boletim desta semana reforça um cenário de transição no agro paranaense, em que oscilações de mercado, clima e produtividade seguem moldando as decisões no campo. No caso do leite, a expectativa de melhor remuneração pode representar uma das notícias mais positivas para o produtor neste início de abril.

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