Exportações do agro batem recorde e fecham melhor semestre da história

Vendas do setor cresceram 6,1% no período, impulsionadas pelo complexo soja e proteínas animais.
Exportações do agro batem recorde e fecham melhor semestre da história
Elevada movimentação de cargas nos portos brasileiros garante escoamento recorde de grãos e carnes no primeiro semestre de 2026.
Foto do autor Cássia Lombardi
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O agronegócio brasileiro consolidou o melhor primeiro semestre de sua história no comércio internacional. De acordo com o relatório Radar Agro, produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações do setor somaram USD 87 bilhões nos primeiros seis meses de 2026. O montante representa um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado e gerou um superávit comercial recorde de USD 77 bilhões para a balança do setor.

O desempenho histórico foi impulsionado pelo resultado de junho, que registrou USD 16,6 bilhões em embarques — uma alta de 14% na comparação anual e o maior valor já computado para o mês de junho na série histórica. O avanço nos volumes do complexo soja, o dinamismo das proteínas animais e a regularidade nos fluxos de diversas commodities agrícolas garantiram o recorde, mesmo diante de um cenário de oscilações e preços mistos no mercado global.



Complexo Soja lidera e carne bovina dispara em receita

A soja em grãos manteve-se como o principal motor das exportações do setor. No primeiro semestre, os embarques do grão totalizaram 69,6 milhões de toneladas (alta de 7%) com faturamento de USD 29 bilhões, respondendo por 34% de toda a pauta exportadora do agronegócio nacional. O óleo de soja registrou avanço de 30% em volume (1,1 milhão de toneladas) e valorização de 13% no preço médio, enquanto o farelo de soja cresceu 11%, somando 12,7 milhões de toneladas.

No setor de proteínas, a carne bovina in natura foi o grande destaque ao movimentar USD 9,1 bilhões de janeiro a junho, um salto de 38% em faturamento respaldado por um volume 16% maior (1,5 milhão de toneladas) e alta de 19% nos preços médios. A carne de frango in natura também avançou, com 2,5 milhões de toneladas despachadas (+14%), enquanto a carne suína cresceu 9% em volume, totalizando 684 mil toneladas.

Outros produtos registraram fortes variações no volume exportado no período. O arroz liderou o crescimento percentual de embarques com uma expansão de 83%, seguido pelo milho (+22%, somando 7,9 milhões de toneladas) e pelo algodão (+21%, com 1,8 milhão de toneladas). Na contramão, o setor sucroenergético enfrentou retrações significativas: o açúcar bruto recuou 3% em volume e 22% em preço, o açúcar refinado caiu 12% e o etanol registrou uma queda severa de 53% no volume embarcado, embora seu preço médio tenha subido 7%. O café verde também encolheu no semestre, registrando queda de 17% no volume enviado.

China ganha espaço e Estados Unidos perdem relevância na pauta

Geograficamente, os grandes mercados globais mantiveram a alta concentração das vendas brasileiras. A China se consolidou ainda mais como o principal parceiro comercial do campo, gerando uma receita de USD 31 bilhões no primeiro semestre — expansão de 10,5% ante o ano anterior e fatia de 35% do total exportado pelo Brasil. O país asiático foi o destino de 69% da soja em grãos e de 52% da carne bovina in natura exportadas pelo mercado nacional.

A União Europeia permaneceu estável na segunda posição, absorvendo USD 12,6 bilhões (+4,6% e fatia de 14%), enquanto o Oriente Médio comprou USD 5,7 bilhões (+4,0% e fatia de 7%). O movimento inverso ocorreu com os Estados Unidos, que perderam espaço relevante na balança comercial do agronegócio. A receita das vendas destinadas ao mercado norte-americano desabou 25,2% no semestre, recuando para USD 5,0 bilhões e fazendo com que a participação do país recuasse de 8% para 6% do bolo total exportado pelo agro brasileiro.

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