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Commodities têm alívio macro, mas risco climático preocupa

Foto do autor Jair Reinaldo
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Commodities têm alívio macro, mas risco climático preocupa
Mercado de commodities segue volátil, influenciado por clima, energia e cenário global

Possível queda das tensões globais pode abrir espaço para juros menores, mas clima e energia seguem pressionando os preços

As commodities iniciam o segundo trimestre de 2026 em um ambiente de possível alívio no cenário macroeconômico global, mas ainda cercado por incertezas que mantêm a volatilidade nos mercados. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que destaca a influência de fatores como clima, energia e geopolítica na formação dos preços.

Alívio macro pode favorecer mercados

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No primeiro trimestre, o aumento da aversão ao risco esteve ligado principalmente à intensificação de conflitos geopolíticos, com reflexos diretos sobre energia, inflação e câmbio. Esse cenário pressionou os mercados e dificultou a atuação dos bancos centrais.

Para os próximos meses, segundo a Hedgepoint, a possibilidade de um cessar-fogo pode reduzir essas pressões, contribuindo para a queda dos preços do petróleo e melhora no apetite por risco. Com isso, cresce a expectativa de flexibilização monetária, embora os efeitos inflacionários ainda exijam cautela.

Fundamentos do agro seguem mistos

No mercado agrícola, os fundamentos apresentam comportamentos distintos entre as commodities. O açúcar segue pressionado pelo excesso de oferta, apesar do suporte vindo do setor energético, especialmente pela relação com o etanol.

No café, a expectativa de uma safra robusta no Brasil reforça um viés de baixa, ainda que fatores como custos elevados e desafios logísticos limitem movimentos mais acentuados. Já o cacau passa por ajustes diante de projeções de maior oferta e demanda mais fraca.

Grãos reagem a energia e geopolítica

Entre os grãos, o comportamento também é heterogêneo. A soja tem sustentação nos preços devido à demanda aquecida, especialmente ligada ao avanço dos biocombustíveis, além dos reflexos do cenário energético.

O milho apresentou estabilidade ao longo de boa parte do primeiro trimestre, mas ganhou impulso com o fortalecimento do setor de energia, principalmente o etanol. Já o trigo encontrou suporte em fatores como preocupações com a qualidade da safra e redução de área plantada, além das incertezas globais.

Clima deve ser o principal fator de risco

Para o segundo trimestre, o clima tende a assumir papel central na formação de preços. Modelos indicam o fim do La Niña e aumento da probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho.

Esse fenômeno pode provocar alterações importantes nos padrões climáticos globais, com risco de secas, chuvas excessivas e ondas de calor em regiões produtoras, impactando diretamente a produtividade agrícola.

Energia segue como vetor de volatilidade

O mercado de energia continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre as commodities. No início do ano, os riscos geopolíticos sustentaram preços elevados e maior instabilidade.

Mesmo com a expectativa de algum alívio, a Hedgepoint ressalta que a permanência de incertezas mantém o setor energético como um canal relevante de transmissão de volatilidade para os mercados agrícolas.

Diante desse cenário, o segundo trimestre deve ser marcado por um equilíbrio entre possíveis melhorias no ambiente macroeconômico e a persistência de riscos estruturais, especialmente ligados ao clima e à energia, exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.

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Editor RuralNews
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