Café especial mineiro abre mercado premium no Japão
Primeiro embarque da Expocacer leva 8,4 toneladas de café especial naturalmente descafeinado ao exigente mercado japonês e supera exportações anuais brasileiras da categoria
A cooperativa mineira Expocacer realizou uma exportação inédita de café especial naturalmente descafeinado para o Japão, reforçando a aposta do setor em mercados premium e de maior valor agregado. O embarque de 8,4 toneladas do produto, equivalente a 140 sacas de 60 quilos, foi realizado pelo Porto de Santos (SP) e representa um volume superior ao total exportado pelo Brasil nos últimos anos na categoria de café descafeinado não torrado.
Produzido no Cerrado Mineiro, o café integra uma estratégia de reposicionamento comercial desenvolvida pela cooperativa ao longo dos últimos três anos, voltada à identificação de novas tendências de consumo e à abertura de nichos no mercado internacional. Entre os focos está justamente o segmento de cafés descafeinados especiais, conhecido internacionalmente como “decaf coffee”.
Segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou apenas 832 quilos de café descafeinado não torrado em 2025 e 698 quilos em 2024. O volume enviado agora pela Expocacer supera em mais de dez vezes os embarques nacionais registrados nesses anos.
Consumo cresce no mercado japonês
De acordo com o diretor comercial da Expocacer, Italo Henrique, a operação busca consolidar mercado e fortalecer o relacionamento comercial com compradores internacionais. Ele explica que o consumo de cafés descafeinados vem crescendo em países com mercados mais maduros, como o Japão, impulsionado pela busca por produtos ligados à saúde e ao bem-estar, sem abrir mão da qualidade da bebida.
A demanda partiu da empresa japonesa Cerrad Coffee Company, sediada em Tóquio. Segundo o responsável pelo controle de qualidade da companhia, Carlos Akio Yamaguchi, o diferencial do produto está justamente no fato de unir cafés especiais à descafeinação natural, algo ainda raro no mercado japonês.
Processo preserva qualidade do café
O café exportado foi produzido na Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG), propriedade do cooperado Eduardo Pinheiro Campos. A variedade embarcada foi o bourbon amarelo, com perfil sensorial marcado por notas florais, melaço, mel, frutas cítricas e cereja, além de corpo aveludado e acidez equilibrada.
O processo de descafeinação foi realizado no Espírito Santo pela empresa DM Descafeinadores do Brasil, utilizando o método “Mountain Water”, considerado premium por utilizar apenas água e sólidos solúveis extraídos do próprio café para remover a cafeína, sem comprometer as características sensoriais do grão.
A técnica envolve etapas de hidratação, extração controlada da cafeína e secagem dos grãos, preservando a qualidade final do produto. O modelo atende à crescente demanda internacional por cafés especiais com processos sustentáveis e naturais.
Expocacer amplia presença internacional
Além da exportação inédita, a Expocacer também reforça sua atuação em agricultura regenerativa. A cooperativa reúne atualmente 760 cafeicultores e possui certificação internacional em agricultura regenerativa, com áreas de produção distribuídas na Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem para cafés no Brasil.
O Japão segue entre os principais destinos do café brasileiro. Dados do Cecafé apontam que o país asiático importou 2,647 milhões de sacas de café brasileiro em 2025, crescimento de 19,4% na comparação com o ano anterior.
