Brasil embarca 3,1 milhões de sacas de café em abril
Relatório do Cecafé aponta avanço nos embarques de conilon e robusta, enquanto queda das cotações internacionais pressiona receita do setor
As exportações brasileiras de café somaram 3,122 milhões de sacas de 60 quilos em abril de 2026, volume 0,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Apesar do avanço nos embarques, a receita cambial do setor apresentou retração de 17,7%, passando de US$ 1,347 bilhão em abril de 2025 para US$ 1,109 bilhão neste ano.
Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Segundo o presidente da entidade, Márcio Ferreira, o crescimento no volume exportado reflete a entrada de cafés da nova safra, principalmente das variedades conilon e robusta.
“Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, afirmou.
Exportações seguem abaixo no acumulado do ano
No acumulado dos dez meses do ano-safra 2025/26, entre julho de 2025 e abril de 2026, o Brasil exportou 32,247 milhões de sacas de café. O volume representa queda de 19,4% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Mesmo com a redução nos embarques, a receita cambial avançou 0,8% no intervalo, totalizando US$ 12,551 bilhões.
Já no acumulado do ano civil, entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras chegaram a 11,619 milhões de sacas, recuo de 16,1% frente ao primeiro quadrimestre de 2025. A receita caiu 14,4%, somando US$ 4,490 bilhões.
De acordo com Ferreira, o desempenho já era esperado pelo mercado diante da menor disponibilidade de cafés remanescentes da safra anterior, principalmente de arábica.
“O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado registrou um bom volume de exportações, assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, explicou.
Exportações de robusta disparam
O destaque positivo do período foi o avanço das exportações de cafés canéforas, que incluem conilon e robusta. Em abril de 2026, os embarques dessas variedades cresceram 374% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Segundo o Cecafé, apesar da forte alta no volume exportado, o impacto na receita foi menor devido ao valor médio inferior por saca em relação ao café arábica.
No acumulado do primeiro quadrimestre, o café arábica permaneceu como principal produto exportado pelo Brasil, com 8,984 milhões de sacas embarcadas, equivalentes a 77,3% do total. O volume, porém, representa queda de 23,4% frente ao mesmo período de 2025.
Na sequência aparecem o café solúvel, com 1,338 milhão de sacas exportadas e alta de 4,1%, e os cafés canéforas, com 1,284 milhão de sacas e crescimento de 58,8%.
Alemanha lidera compras do café brasileiro
A Alemanha manteve a liderança entre os principais destinos do café brasileiro no primeiro quadrimestre de 2026, com importação de 1,563 milhão de sacas, o equivalente a 13,4% dos embarques totais.
Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, seguidos por Itália, Bélgica e Japão.
Entre os cafés diferenciados — produtos com qualidade superior, certificados sustentáveis e especiais — o Brasil exportou 2,076 milhões de sacas entre janeiro e abril, volume 36,3% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
Porto de Santos lidera embarques
O Porto de Santos concentrou a maior parte das exportações brasileiras de café no primeiro quadrimestre, respondendo por 74,7% do total embarcado, com 8,678 milhões de sacas.
Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, com participação de 21,3%, e o Porto de Paranaguá, responsável por 1,1% dos embarques nacionais no período.
