Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente revelou que fungicidas amplamente utilizados na agricultura podem comprometer microrganismos essenciais para o desenvolvimento de abelhas sem ferrão. A pesquisa avaliou os efeitos de produtos químicos e biológicos sobre a espécie Scaptotrigona depilis e identificou impactos diretos no alimento larval.
Os resultados mostram que fungos simbiontes, fundamentais para a digestão e nutrição das larvas, podem ser afetados ou até eliminados dependendo do tipo e da dose do fungicida. Esse efeito ocorre mesmo dentro de faixas consideradas compatíveis com o uso no campo.
Na prática, o alerta acende para o produtor rural: o manejo de defensivos pode influenciar diretamente a saúde dos polinizadores, que são essenciais para diversas culturas agrícolas.
Impacto maior com fungicidas químicos
O estudo identificou que o fungicida químico apresentou os efeitos mais severos. Em concentrações iguais ou superiores a 2 g/L, houve inibição total da esporulação dos fungos presentes no alimento das larvas, com eliminação completa de microrganismos importantes como Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp..
Esse tipo de impacto não causa morte imediata das abelhas, mas interfere em processos fundamentais, como o desenvolvimento das larvas e a manutenção das colônias.
Alternativas biológicas mostram menor impacto
Já o fungicida biológico apresentou comportamento diferente. Em doses intermediárias, houve até estímulo no crescimento dos fungos simbiontes. Apenas em concentrações mais elevadas foi observada redução.
O resultado indica que alternativas biológicas tendem a ser mais compatíveis com a preservação dos polinizadores, embora também exijam manejo adequado.
Reflexos diretos na produção agrícola
A pesquisa reforça que o impacto de defensivos vai além do controle de doenças. A redução de polinizadores pode afetar diretamente a produtividade de culturas que dependem da polinização, como frutas, grãos e hortaliças.
Além disso, especialistas destacam a necessidade de ampliar os testes de defensivos para incluir abelhas nativas, já que hoje muitos protocolos consideram apenas espécies exóticas.
Para o produtor, o recado é claro: o uso racional de fungicidas e a adoção de tecnologias mais sustentáveis são fundamentais para manter o equilíbrio do sistema produtivo e garantir bons resultados no campo.