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Mercado global do açúcar em 2025 tem queda de preços e volatilidade

Em 2025, o mercado global do açúcar enfrentou queda de preços e alta volatilidade, pressionado por oferta elevada, estoques robustos e demanda enfraquecida

Mercado global do açúcar em 2025 tem queda de preços e volatilidade
Oferta elevada e estoques globais pressionaram os preços do açúcar em 2025. Foto: Canva
Foto do autor Francieli Galo
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O mercado global do açúcar atravessou 2025 sob forte pressão, marcado por queda expressiva dos preços e elevada volatilidade. De acordo com a equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, a combinação entre oferta abundante, estoques elevados e demanda abaixo do esperado consolidou um cenário amplamente baixista ao longo do ano.

Mesmo diante de um déficit global no ciclo 2024/25, o volume disponível no mercado internacional foi suficiente para limitar a reação dos preços. Estoques robustos na Ásia e na África, aliados ao desempenho recorde das exportações brasileiras no ano anterior, reduziram a necessidade de compras por parte dos principais importadores.

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Desempenho das cotações em Nova Iorque

No mercado futuro, o açúcar bruto negociado em Nova Iorque encerrou 2025 em queda pelo segundo ano consecutivo. O contrato março/26 fechou o ano cotado a US¢ 15,01 por libra-peso, acumulando desvalorização anual de 22,1%, a maior desde 2017.

Segundo a StoneX, apesar de tentativas pontuais de recuperação no início do ano, o elevado volume de entregas nos contratos de março e maio evidenciou a fraqueza da demanda física. Em março, as entregas superaram 34 mil lotes, enquanto, em novembro, o contrato NY#11 atingiu o patamar mínimo de US¢ 14 por libra-peso.

Cenário asiático reforça ambiente de oferta

Na Ásia, o temor inicial com perdas produtivas foi substituído por um cenário mais favorável ao longo de 2025. Chuvas abundantes na Índia e no Sudeste Asiático favoreceram a safra 2025/26. A Índia projetou recuperação da produção para patamares acima de 30 milhões de toneladas e anunciou uma cota de exportação de 1,5 milhão de toneladas.

A China, por sua vez, ampliou suas importações para até 4,8 milhões de toneladas. Ainda assim, o aumento das compras não foi suficiente para sustentar as cotações internacionais, diante do crescimento da oferta regional e do elevado nível dos estoques globais.

Brasil mantém protagonismo no mercado global

No Centro-Sul do Brasil, a safra 2025/26 foi marcada por instabilidade climática, mas a região manteve moagem acima de 600 milhões de toneladas. De acordo com a StoneX, as limitações de produtividade foram compensadas pela maximização do mix açucareiro adotada pelas usinas.

Com isso, a produção nacional deve se aproximar de 40,2 milhões de toneladas, mantendo o Brasil como principal fornecedor global e contribuindo para a pressão baixista sobre os preços internacionais.

Volatilidade e fatores geopolíticos

O ambiente de oferta robusta foi reforçado pela expectativa de superávit global de cerca de 3,7 milhões de toneladas em 2025/26 e por revisões para baixo no consumo, especialmente nos Estados Unidos e na China. Esse cenário atraiu a atuação de fundos especulativos, que ampliaram posições vendidas, intensificando a volatilidade do mercado.

Além disso, instabilidades geopolíticas na Ásia, como tensões na Caxemira e entre Tailândia e Camboja, trouxeram preocupações pontuais sobre a oferta. No entanto, segundo a StoneX, esses fatores tiveram impacto limitado diante da ampla disponibilidade global da commodity.

Perspectivas para 2026

Para 2026, a StoneX avalia que o mercado brasileiro será influenciado pela disputa entre açúcar e etanol. No início do ciclo 2026/27, a tendência é de maior direcionamento da cana para a produção de etanol, devido a preços mais atrativos.

Ainda assim, o aumento da moagem, estimada em 620 milhões de toneladas, e o avanço da produção de etanol de milho devem garantir um excedente exportável de açúcar superior a 35 milhões de toneladas. No mercado internacional, os estoques elevados tendem a manter a pressão sobre os preços, embora a volatilidade possa aumentar caso surjam expectativas de déficit global no ciclo seguinte.

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