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Excesso de chuva atrasa plantio do milho e eleva alerta em Mato Grosso

Foto do autor Francieli Galo
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Excesso de chuva atrasa plantio do milho e eleva alerta em Mato Grosso
Chuvas intensas atrasam a semeadura do milho em Mato Grosso e aumentam a preocupação com a produtividade da segunda safra. Foto: Aprosoja MT / Divulgação

Com quase 94% da área semeada, produtores de Mato Grosso enfrentam atraso no plantio, risco de perda de estande e preocupação com a produtividade da segunda safra

O excesso de chuva em Mato Grosso já preocupa os produtores e impacta o ritmo da semeadura do milho 2025/26, que avança no estado, mas segue atrasada em relação à janela ideal de plantio. Mesmo com 93,68% da área prevista já semeada, o milho entra em uma fase mais delicada da safra, com lavouras sendo implantadas fora do período considerado mais favorável e sob risco maior para o potencial produtivo.

O cenário é reflexo de uma sequência de problemas climáticos ao longo da temporada. Primeiro, a falta de chuva atrasou a semeadura da soja em novembro de 2025. Depois, o excesso de precipitações comprometeu o ritmo da colheita do grão, empurrando também o calendário do milho segunda safra.

Atraso da soja puxou o milho para fora da janela ideal

O plantio do milho em Mato Grosso já acumula mais de 20 dias de atraso em relação à data considerada ideal para a cultura, segundo o relato dos produtores e das entidades do setor.

Na prática, o atraso começou ainda na soja. A semeadura da oleaginosa foi comprometida no início da safra pela escassez de chuva, o que já deslocou parte do calendário agrícola. Em seguida, quando a colheita começou, o excesso de precipitações passou a dificultar a retirada da soja do campo, atrasando a entrada das máquinas para a implantação do milho.

Esse encadeamento de fatores climáticos deixou o produtor sem margem de manobra. Em muitas propriedades, o milho está sendo plantado mais tarde do que o recomendado, o que aumenta o risco de a cultura enfrentar restrição hídrica ou condições desfavoráveis justamente nas fases mais sensíveis do ciclo.

Volumes elevados de chuva dificultam operações no campo

Dados do Aproclima, projeto da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) que monitora as condições meteorológicas no estado, mostram a dimensão do problema enfrentado pelos produtores.

O levantamento, realizado ao longo de 60 dias entre 25 de dezembro de 2025 e 25 de fevereiro de 2026, identificou acumulados de chuva entre 700 e 900 milímetros em municípios como Diamantino, Nova Mutum, Vera, Sinop, Cláudia, Matupá e Querência.

Nas demais áreas do estado, os volumes variaram entre 150 e 500 milímetros, também em patamares relevantes para o avanço das operações agrícolas.

Com o solo excessivamente encharcado, os maquinários enfrentam dificuldade para entrar nas áreas de plantio. Além do risco de atolamento, o tráfego em condições inadequadas pode causar compactação e degradação do solo, o que obriga muitos produtores a esperar por uma melhora no clima antes de retomar a semeadura.

Plantio atrasado preocupa mesmo com avanço da área semeada

Embora o percentual de área semeada esteja elevado, o avanço do plantio não elimina a preocupação no campo.

Segundo dados do Instituto Mato-grossense da Economia Agropecuária (Imea), divulgados na última sexta-feira, Mato Grosso já alcançou 93,68% da área prevista para a semeadura do milho. Ainda assim, parte relevante desse plantio ocorreu fora da janela considerada ideal para garantir maior segurança produtiva.

Isso porque, no milho segunda safra, o calendário é determinante. Quanto mais o plantio se afasta do período ideal, maior é o risco de a cultura enfrentar redução das chuvas no fim do ciclo, especialmente durante a fase de enchimento de grãos, o que pode comprometer diretamente a produtividade.

Excesso hídrico também ameaça lavouras já implantadas

O problema não se limita às áreas que ainda aguardam semeadura. O excesso de chuva também preocupa produtores que já conseguiram implantar o milho.

Segundo o diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, as enxurradas podem comprometer o estande das lavouras, reduzindo a população de plantas por hectare e afetando o potencial produtivo da cultura.

De acordo com ele, o milho exige mais precisão no manejo do que a soja, justamente por trabalhar com menor número de plantas por metro linear e por hectare. Isso significa que perdas de plantas provocadas por encharcamento ou enxurradas têm impacto direto no rendimento final da lavoura.

A preocupação é ainda maior nas regiões mais atrasadas, onde o plantio segue sendo realizado sob volumes elevados de chuva e com menor margem para correção de falhas.

Cultura sensível pode sofrer perdas de qualidade e rentabilidade

A vice-presidente sul da Aprosoja MT, Laura Battisti Nardes, também alertou para os efeitos econômicos do excesso de chuva sobre a cultura.

Segundo ela, tanto a chuva quanto o sol em excesso prejudicam a produção, mas, no caso do milho, o excesso hídrico pode ser especialmente danoso em fases como germinação, crescimento e floração.

Nessas etapas, o encharcamento pode comprometer o desenvolvimento das plantas, afetar a qualidade dos grãos e reduzir a viabilidade econômica da lavoura, principalmente em áreas onde a cultura já entra atrasada e com maior exposição a riscos climáticos ao longo do ciclo.

A combinação entre atraso no plantio e excesso de umidade amplia a preocupação do produtor não apenas com o volume colhido, mas também com a qualidade final da produção e a capacidade de cobrir os custos da safra.

Produtores temem falta de chuva no fim do ciclo

Em Nova Ubiratã, o produtor rural Fábio Luis Bratz relata que, além do atraso provocado pelas chuvas, a maior preocupação agora está no comportamento do clima nos próximos meses.

Segundo ele, o problema é que o milho está sendo implantado mais tarde, o que pode fazer com que a cultura dependa de chuva em um período em que o regime climático já costuma perder força em parte do estado.

Na prática, isso significa que o excesso de chuva no início da safra pode acabar sendo substituído por falta de umidade no momento mais decisivo para o enchimento de grãos. Se isso acontecer, a cultura pode não conseguir expressar todo o seu potencial produtivo.

O produtor afirma que o milho já está sendo plantado fora da janela ideal na propriedade e que, apesar disso, a semeadura precisa seguir, já que os custos com semente e adubo já foram assumidos.

Safra entra em fase de risco maior para produtividade

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Editor RuralNews
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