Soja recua em Chicago com foco no clima dos EUA e tensões internacionais

Mercado futuro opera em baixa nesta terça-feira devido à movimentação de fundos de investimento e avanço das lavouras norte-americanas.
Soja recua em Chicago com foco no clima dos EUA e tensões internacionais
Clima nos Estados Unidos e tensões geopolíticas no exterior ditam o rumo dos preços da soja na Bolsa de Chicago e deixam o produtor brasileiro em compasso de espera.
Foto do autor Camilo Motter
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A Bolsa de Chicago (CBOT) opera em queda na manhã desta terça-feira, registrando perdas entre 4 e 6 pontos no contrato de agosto, cotado a US$ 11,92 por bushel, após fechar a sessão anterior com ganhos moderados. Segundo analistas da Granoeste Corretora, esse recuo reflete uma realocação de recursos por parte dos investidores institucionais, que buscam proteção diante do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Após a alta de 5% acumulada na semana passada, muitos fundos de investimento aproveitam o momento de incerteza para liquidar posições e realizar lucros.

A pressão sobre os preços também é alimentada pela melhora nas condições das lavouras de soja nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país (USDA) reportou que 65% das plantações estão em condições boas ou excelentes — um aumento de um ponto percentual em relação à semana anterior —, enquanto 27% estão regulares e 8% em situação ruim ou péssima. No mesmo período do ano passado, esses índices eram de 70%, 25% e 5%, respectivamente. Em termos de desenvolvimento, 50% das lavouras norte-americanas já entraram em fase de floração (frente a 45% em 2025) e 19% estão em fase de formação de vagens (frente a 14% no ano anterior).



No front da demanda global, as importações da China seguem aquecidas. O país asiático comprou 13,5 milhões de toneladas de soja em junho, volume quase 11% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a junho, as importações chinesas somam 50,2 milhões de toneladas, superando as 49,4 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. Apesar da melhora momentânea na qualidade das lavouras americanas, mapas meteorológicos apontam para uma redução de chuvas combinada com calor intenso em grandes áreas do Meio-Oeste dos EUA. Os próximos 60 dias serão cruciais para a definição do rendimento final da safra norte-americana.

Produtor adota cautela e comercialização segue em ritmo lento

No cenário nacional, os dados da Conab apontam que a safra brasileira de soja, recém-colhida, alcançou 180,6 milhões de toneladas, superando as 171,5 milhões de toneladas da temporada anterior. Esse resultado foi obtido em uma área semeada de 48,6 milhões de hectares. O país deve exportar 116,3 milhões de toneladas do grão e processar internamente outras 62,6 milhões de toneladas.

O produtor brasileiro, no entanto, adota uma postura bastante cautelosa nas vendas. A Granoeste Corretora destaca que os agricultores estão atentos ao risco climático nos Estados Unidos, à chegada da entressafra doméstica e à possibilidade de atraso no retorno das chuvas no Centro-Oeste brasileiro devido à atuação do El Niño. Esse conjunto de fatores mantém o ritmo de negócios travado no mercado físico.

No mercado de exportação, os prêmios nos portos são indicados entre 95 e 105 pontos para entrega imediata (spot), de 100 a 110 pontos para agosto e de 105 a 120 pontos para setembro. No mercado interno, as referências de compra para a soja no oeste do Paraná oscilam entre R$ 132,00 e R$ 135,00 por saca, enquanto no porto de Paranaguá os preços sugeridos variam de R$ 142,00 a R$ 145,00 por saca, a depender das condições de prazo, local de embarque e entrega.

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