Segundo análise divulgada pela Granoeste Corretora nesta quinta-feira (12), o mercado do milho voltou a registrar perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), após uma breve recuperação observada na sessão anterior. Os investidores mantêm a atenção voltada para o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), enquanto acompanham o avanço das safras nos principais países produtores.
A posição julho era negociada a US$ 4,17 por bushel durante a manhã, com recuo de dois pontos. Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato julho trabalhava em R$ 64,60 por saca, enquanto setembro era cotado a R$ 66,85.
A corretora destaca que o início de junho foi marcado por forte desvalorização das cotações em Chicago. As perdas acumuladas superaram 7%, levando o cereal ao menor patamar do ano até o momento. Com isso, o mercado se afastou da possibilidade de retornar ao nível de US$ 5,00 por bushel e passou a operar próximo dos US$ 4,00.
Safra dos Estados Unidos segue no radar
As atenções do mercado permanecem concentradas nos dados do USDA. A expectativa é de uma produção norte-americana de 406,2 milhões de toneladas, volume ligeiramente inferior à estimativa divulgada em maio. Na safra passada, os Estados Unidos colheram 432,4 milhões de toneladas.
Os estoques finais são projetados em 54,5 milhões de toneladas para a temporada atual e em 49,7 milhões para o ciclo 2026/27, indicando oferta ainda confortável no mercado internacional.
Brasil mantém produção acima de 140 milhões de toneladas
No Brasil, a Conab divulgou o nono levantamento da safra 2025/26, mantendo uma perspectiva positiva para o cereal. A produção nacional foi estimada em 140,5 milhões de toneladas, resultado ligeiramente superior ao projetado no mês anterior.
As exportações brasileiras seguem previstas em 46,5 milhões de toneladas, acima das 41,6 milhões embarcadas no ciclo anterior. Já o consumo interno deve alcançar 94,9 milhões de toneladas, crescimento de 4,6% em relação ao ano passado.
A Granoeste ressalta ainda que os estoques finais brasileiros devem aumentar para 13,3 milhões de toneladas, reforçando o cenário de ampla disponibilidade do cereal.
De acordo com a Conab, a primeira safra deve produzir 29,3 milhões de toneladas, enquanto a segunda safra, principal responsável pela oferta nacional, está estimada em 107,9 milhões de toneladas. A terceira safra deve contribuir com mais 3,25 milhões de toneladas.
A área cultivada nas três safras alcança 22,58 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 103,7 sacas por hectare.
Mercado físico acompanha paridade de exportação
No mercado doméstico, as indicações de compra no oeste do Paraná variam entre R$ 58,00 e R$ 62,00 por saca. Em Paranaguá, os negócios para a safrinha são indicados entre R$ 62,00 e R$ 65,00 por saca, dependendo das condições de pagamento e da localização dos lotes.
Segundo a Granoeste Corretora, os preços internos tendem a buscar a paridade de exportação, movimento que pode gerar diferenças entre regiões produtoras de acordo com a logística e a demanda local.
No mercado cambial, o dólar operava em leve queda na manhã desta quinta-feira, cotado a R$ 5,16, após encerrar a sessão anterior a R$ 5,168. A variação da moeda segue sendo um dos fatores acompanhados pelos agentes do mercado por seu impacto direto na competitividade das exportações brasileiras.