Falta de vacina preocupa pecuaristas no Paraná
Escassez de imunizantes contra clostridioses já provoca mortes de animais em algumas regiões do Estado
A falta de vacina contra clostridioses tem preocupado pecuaristas em diferentes regiões do Paraná. A escassez do imunizante, usada na prevenção de doenças infecciosas de alta letalidade causadas pela bactéria Clostridium, já dura cerca de um mês em algumas localidades e há registros de mortes de animais associadas à ausência de vacinação.
Segundo relatos do setor pecuário, produtores enfrentam dificuldades tanto para iniciar quanto para completar o protocolo vacinal dos rebanhos, especialmente em bezerros, que devem receber a primeira dose a partir dos 90 dias de idade e um reforço cerca de 30 dias depois.
Regiões enfrentam falta total de imunizantes
Em Cidade Gaúcha, no Noroeste do Paraná, a pecuarista Ane Becker afirma que não conseguiu aplicar a dose de reforço em cerca de 300 bezerros devido à indisponibilidade da vacina.
“Nem aqui nem nas cidades vizinhas tem a vacina. Na região tem muita gente que não conseguiu fazer nem a primeira dose. Já tem registro de mortes comprovadas por Carbúnculo, inclusive em propriedades vizinhas”, relata.
Além do Noroeste, produtores do Norte Pioneiro também demonstram preocupação com a falta do imunizante e alertam para os riscos sanitários ao rebanho paranaense caso o problema continue.
Doenças têm alta letalidade
As clostridioses estão entre as enfermidades que mais causam mortes de bovinos no Brasil. Entre as doenças mais comuns estão Carbúnculo, Botulismo, Tétano, Gangrena Gasosa, Enterotoxemias, Hemoglobinúria Bacilar e Doença do Rim Polposo.
Especialistas destacam que a vacinação preventiva é considerada a principal ferramenta de controle, já que essas enfermidades possuem evolução rápida e, em muitos casos, o tratamento não apresenta resultados satisfatórios.
Redução da produção agravou escassez
Entre os fatores apontados para a falta de vacinas está a redução do número de empresas produtoras no Brasil. Segundo técnicos do setor, a queda da demanda pela vacina contra febre aftosa e a baixa rentabilidade das vacinas contra clostridioses desestimularam parte da produção nacional.
O fechamento de fábricas, inclusive no Paraná, também contribuiu para diminuir a oferta e aumentar a dependência de imunizantes importados de países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos.
Além disso, investigações sanitárias e suspensão de lotes em 2025, após relatos de mortes de animais relacionadas à aplicação de vacinas, impactaram ainda mais a disponibilidade no mercado.
Setor cobra agilidade
Representantes do setor pecuário defendem maior agilidade por parte da indústria e dos órgãos responsáveis para ampliar a produção e acelerar a liberação de doses.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná reforça que a manutenção da vacinação é essencial para garantir a proteção sanitária do rebanho e reduzir prejuízos econômicos provocados pelas doenças.
Segundo o órgão, embora as clostridioses não façam parte de programas oficiais de controle sanitário, elas causam impacto direto na produtividade e podem comprometer a sustentabilidade da pecuária no Estado.
