CNA alerta para impactos da redução da jornada no agro
Durante audiência pública, CNA destacou que atividades rurais possuem características específicas que precisam ser consideradas no debate sobre mudanças na jornada
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na segunda-feira (18), de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a redução da jornada de trabalho sob a perspectiva dos empregadores.
Representando a entidade, o coordenador trabalhista da CNA, Rodrigo Hugueney, destacou que a discussão precisa considerar as particularidades dos diferentes setores da economia brasileira, especialmente do setor agropecuário.
Segundo ele, as atividades manuais e produtivas realizadas no campo podem ser diretamente impactadas por mudanças na jornada de trabalho. Durante a audiência, Hugueney ressaltou que salário e remuneração são conceitos distintos e citou como exemplo trabalhadores safristas que recebem conforme a quantidade de sacas colhidas.
De acordo com o coordenador, não é possível aplicar um modelo único para um país com grande número de trabalhadores atuando em atividades manuais.
“A escala faz parte da gestão empresarial e colocar isso em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é um engessamento e dificulta a manutenção das atividades ininterruptas, como ocorre no setor rural”, afirmou.
Rodrigo Hugueney também defendeu que o debate sobre a jornada de trabalho seja realizado de forma mais ampla e técnica, evitando decisões tomadas de forma precipitada, especialmente em um ano eleitoral.
A audiência pública foi realizada na Câmara dos Deputados e reuniu representantes de diferentes setores para discutir os possíveis impactos econômicos e trabalhistas de mudanças na jornada laboral no Brasil.
