Crédito rural soma R$ 391,2 bilhões na safra 25/26
CPR amplia participação no financiamento do setor enquanto crédito para industrialização registra forte crescimento
O crédito rural destinado à agricultura empresarial totalizou R$ 391,2 bilhões entre julho de 2025 e abril de 2026, período correspondente ao Plano Safra 2025/2026. Os dados constam no Boletim de Desempenho divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O volume representa retração de 5% em relação aos R$ 409,8 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra anterior.
CPR amplia participação no financiamento do agro
A Cédula de Produto Rural (CPR) consolidou-se como principal instrumento de financiamento do agronegócio brasileiro. O volume movimentado pela modalidade cresceu 10%, alcançando R$ 167 bilhões.
Com isso, a CPR passou a representar 43% do total concedido no atual Plano Safra, frente aos 37% registrados na temporada anterior. Somando os recursos de custeio convencional à CPR, o financiamento voltado à produção agrícola atingiu R$ 292,6 bilhões, com recuo mais moderado, de 1,6%.
Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o avanço da CPR reflete a migração de produtores rurais e tradings para instrumentos de mercado, diante dos elevados custos financeiros e das restrições ambientais ligadas às linhas tradicionais de crédito.
Crédito para industrialização cresce 66%
Um dos principais destaques do período foi o avanço do crédito para industrialização, que registrou crescimento de 66%. O volume liberado passou de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões, indicando maior agregação de valor à produção agropecuária e expansão das cadeias agroindustriais.
Por outro lado, o crédito de investimento apresentou retração de 29%, caindo de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões. Entre os programas que registraram as maiores quedas estão o Prodecoop (-57%), o Proirriga (-56%) e o Moderfrota (-54%).
Segundo o Mapa, o movimento reflete a cautela do setor diante dos juros elevados, da instabilidade internacional, do aumento da inadimplência, dos custos de produção e dos riscos climáticos.
Pronamp mantém desempenho positivo
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) apresentou crescimento de 3% em valor, totalizando R$ 52,1 bilhões.
De acordo com a análise do governo federal, o resultado demonstra a resiliência dos produtores de médio porte, mesmo em um cenário de crédito mais caro.
Na distribuição regional dos financiamentos, excluindo a CPR, a região Sul liderou em volume contratado, com R$ 65,9 bilhões. Em seguida aparecem Sudeste, com R$ 64,7 bilhões, e Centro-Oeste, com R$ 62,5 bilhões. O Nordeste registrou a maior retração regional, com queda de 29% nos valores liberados.
LCA Controlada dispara e ganha espaço
Entre as fontes de financiamento, o principal destaque foi a LCA Controlada, que cresceu 3.345%, saltando de R$ 808 milhões para R$ 27,8 bilhões. Com isso, a modalidade tornou-se a segunda maior fonte controlada de crédito rural.
Já a LCA Livre apresentou retração de 35%, enquanto a Poupança Rural Livre avançou 38%, atingindo R$ 50 bilhões. Os Recursos Obrigatórios cresceram 30%, reforçando o peso das linhas compulsórias no financiamento do setor.
Perspectiva aponta retomada dos investimentos
Segundo o Mapa, a expectativa de redução da taxa Selic até o final de 2026 poderá favorecer a retomada dos programas de investimento rural.
A projeção é de recuperação gradual das contratações nas linhas tradicionais de crédito, especialmente nos programas que apresentaram maiores retrações durante a atual safra.
