Endividamento rural preocupa produtores no Paraná
Produtores enfrentam dificuldades para acessar crédito após sequência de perdas climáticas, alta dos custos e queda nas margens do campo
O endividamento rural no Paraná alcançou R$ 10,8 bilhões em janeiro deste ano, segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) de uma entidade paranaense do setor agropecuário. O valor considera dívidas em atraso, inadimplentes e operações prorrogadas ou renegociadas por produtores rurais.
De acordo com a entidade, a situação atual pode ser ainda mais preocupante. A estimativa é de que o saldo problemático já ultrapasse os R$ 20 bilhões atualmente.
Endividamento avança no Paraná e no Brasil
O Paraná registrava cerca de R$ 99 bilhões em operações de crédito rural junto às instituições financeiras em janeiro. Com isso, o saldo problemático representa aproximadamente 11% do total de empréstimos no Estado, índice considerado elevado para um setor historicamente marcado pela baixa inadimplência.
No cenário nacional, o panorama também preocupa. O Brasil somava aproximadamente R$ 881 bilhões em crédito rural no mesmo período, com saldo problemático de cerca de R$ 153,6 bilhões, equivalente a 17,4% do total das operações.
Dados do Banco Central apontam ainda que a inadimplência rural bateu recorde em 2025. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias chegou a 6,5%, acima dos 2,3% registrados em 2024 e dos 1,1% observados em 2023.
Custos elevados e perdas climáticas pressionam produtores
O aumento do endividamento é atribuído a uma combinação de fatores que vêm pressionando o setor nos últimos anos.
Entre os principais problemas estão as sucessivas quebras de safra causadas por eventos climáticos, juros elevados, aumento nos custos de produção, alta nos preços de insumos como fertilizantes e diesel, além da queda nas cotações das commodities agrícolas.
A falta de recursos para contratação de seguro rural também é apontada como um agravante para os produtores.
No Noroeste do Paraná, o avicultor Luiz Flamengo relata dificuldades para manter a atividade diante da escalada dos custos operacionais. Segundo ele, despesas com energia elétrica, manutenção de equipamentos, lenha para aquecimento e mão de obra aumentaram significativamente nos últimos anos.
Enquanto isso, a remuneração segue reajustada basicamente pela inflação, sem acompanhar o crescimento dos custos da atividade.
“O endividamento nos impede de honrar os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e agentes financeiros”, afirma o produtor.
Setor cobra medidas emergenciais
A entidade paranaense alerta que o avanço das dívidas pode comprometer não apenas a atividade agropecuária, mas também a segurança alimentar e a economia estadual.
Sem margem financeira e com dificuldades para acessar novas linhas de crédito, muitos produtores enfrentam obstáculos para investir no plantio das próximas safras.
O setor defende a criação de programas de renegociação de dívidas e a abertura de novas linhas de financiamento voltadas aos produtores rurais.
Na próxima terça-feira, o Senado deve votar o Projeto de Lei 5.122/23, que prevê mecanismos para renegociação de dívidas rurais por meio de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.
Segundo a entidade, o diálogo com parlamentares busca reforçar a necessidade de medidas emergenciais para reduzir o impacto do endividamento no campo.
