Algodão segue firme, mas com riscos no curto prazo
Boletim da Abrapa aponta sustentação nos preços com influência do petróleo e clima, mas alerta para possíveis correções
O mercado global do algodão segue firme, mesmo após a interrupção de uma sequência de altas consecutivas nas bolsas internacionais. De acordo com o Boletim de Inteligência de Mercado da Abrapa, os preços continuam sustentados por fatores como o petróleo elevado, a seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos e a maior competitividade da fibra frente ao poliéster.
Clima nos EUA sustenta mercado
Um dos principais vetores de sustentação é o clima nos Estados Unidos. Cerca de 97% das áreas produtoras enfrentam algum nível de seca, o que eleva o risco para o desenvolvimento das lavouras justamente no período de plantio. A ausência de chuvas nas próximas semanas pode impactar diretamente a produtividade e reduzir a oferta global da fibra.
Petróleo e mercado financeiro dão suporte
O preço elevado do petróleo também favorece o algodão ao aumentar o custo das fibras sintéticas, como o poliéster. Esse movimento melhora a competitividade da fibra natural e pode estimular ajustes na indústria têxtil. Além disso, fundos de investimento passaram de posição vendida para comprada, indicando mudança no fluxo financeiro e maior suporte aos preços.
China volta ao centro das atenções
A China voltou a influenciar o mercado com a alta nos preços internos e sinais de possível intervenção governamental. O país também ampliou suas importações em março, com o Brasil respondendo por cerca de 60% do volume. Ao mesmo tempo, rumores sobre leilões de estoques estratégicos podem impactar o fluxo global e reduzir a necessidade de compras no curto prazo.
Exportações brasileiras seguem firmes
No Brasil, os embarques continuam em ritmo acelerado. Nas três primeiras semanas de abril, as exportações somaram 194,9 mil toneladas, com média diária significativamente superior à registrada no mesmo período do ano passado, reforçando a demanda internacional pela pluma brasileira.
Riscos limitam novas altas
Apesar do cenário positivo, o boletim alerta para fatores que podem limitar o avanço dos preços no curto prazo. Parte da valorização recente está mais ligada ao cenário externo — como geopolítica, petróleo e fluxo financeiro — do que a uma melhora consistente da demanda física.
Além disso, o mercado encontrou resistência próxima aos 80 centavos de dólar por libra-peso nos contratos futuros, indicando dificuldade de continuidade da alta no curtíssimo prazo. A possibilidade de realização de lucros por parte dos investidores e o nível de estoques certificados também podem pressionar as cotações.
Diante desse cenário, a tendência é de manutenção da volatilidade, exigindo atenção redobrada dos produtores e agentes da cadeia para decisões de comercialização e gestão de risco.
