Brasil e Austrália ampliam parceria no algodão
Missão internacional promovida pelo Cotton Brazil levará representantes brasileiros a regiões produtoras australianas para troca de experiências sobre sustentabilidade, inovação e gestão da cadeia algodoeira
O Cotton Brazil realizará, entre os dias 17 e 22 de maio de 2026, a missão internacional “Cotton Brazil Dialogues” na Austrália. A iniciativa levará uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão do país, com foco no intercâmbio de conhecimentos sobre inovação, sustentabilidade, pesquisa aplicada, eficiência hídrica, logística e gestão agrícola.
A missão conta com apoio do Rabobank e busca ampliar o diálogo técnico entre os setores algodoeiros brasileiro e australiano, considerados referências globais na produção da fibra natural.
Ao longo da programação, os participantes visitarão fazendas, centros de pesquisa, laboratórios, algodoeiras, empresas de classificação de fibra e estruturas logísticas ligadas às exportações australianas de algodão.
Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a iniciativa reforça o posicionamento internacional do algodão brasileiro e amplia a aproximação com mercados estratégicos e importantes players globais do setor.
“Como responsáveis pela produção do algodão, a fibra natural mais reconhecida do mundo, é importante fortalecer nossos laços com outros países produtores e construir uma agenda conjunta”, afirmou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, que integra a delegação brasileira.
Agenda técnica inclui fazendas e centros de pesquisa
A programação terá início em Sydney e seguirá por importantes polos da cotonicultura australiana, como Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane.
Entre os destaques da missão está a visita à Sundown Pastoral Company, referência em sustentabilidade e eficiência no uso da água, além da propriedade Keytah, em New South Wales, reconhecida pelos elevados índices de produtividade e pelo modelo avançado de gestão hídrica. A fazenda produz até 78 mil fardos de algodão por ano.
A delegação também visitará a Australian Food Fibre (AFF), uma das principais empresas do agronegócio australiano com atuação integrada na cadeia do algodão, além da Cotton Seed Distributors (CSD), especializada em melhoramento genético e desenvolvimento de sementes.
Outro ponto importante da agenda será o Australian Cotton Research Institute (ACRI), centro de pesquisa voltado ao desenvolvimento de tecnologias para produtividade, manejo de pragas, uso eficiente da água e práticas agrícolas sustentáveis.
Os participantes também terão encontros com representantes da Warakirri Asset Management, uma das maiores plataformas de investimentos agrícolas da Austrália, e da ProClass, principal empresa independente de classificação de algodão do país.
Na etapa final da missão, a delegação visitará as instalações da Queensland Cotton, integrante da Olam Agri, além do laboratório da Bayer Crop Science, em Toowoomba, e o Porto de Brisbane, considerado um dos principais corredores logísticos de exportação agrícola do estado de Queensland.
Intercâmbio técnico entre Brasil e Austrália
Antes da missão brasileira, pesquisadores australianos ligados à The Cotton Research and Development Corporation (CRDC), por meio do programa CottonInfo, estiveram no Brasil para uma agenda técnica focada em manejo de pragas, resiliência climática e saúde do solo.
O grupo visitou fazendas em Mato Grosso e Bahia, instituições de pesquisa e participou, em Brasília, do workshop sobre Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD), promovido pela Abrapa.
“Chamou atenção durante nossa visita ao Brasil o quanto o setor agrícola é inovador e tecnologicamente avançado, a força da pesquisa aplicada e a forma como diferentes atores trabalham juntos para impulsionar o sucesso da agricultura, especialmente do algodão”, afirmou o agrônomo australiano Jamie Street.
Brasil e Austrália são referências globais
A Austrália é considerada uma das principais referências mundiais em irrigação, pesquisa aplicada e integração logística da cadeia algodoeira. Já o Brasil consolidou sua posição entre os maiores produtores e exportadores globais da fibra, impulsionado pela produção em larga escala, avanços tecnológicos, sustentabilidade e rastreabilidade.
Segundo a Abrapa, a missão técnica fortalece o aprendizado mútuo entre os dois países e amplia as possibilidades de cooperação em produtividade, inovação e sustentabilidade.
O programa Cotton Brazil Dialogues foi lançado em 2025 para fortalecer as relações institucionais e comerciais do algodão brasileiro com mercados estratégicos, promovendo maior aproximação entre produtores, indústria, pesquisadores e demais agentes da cadeia têxtil global.
“O Cotton Brazil Dialogues foi criado com o propósito de construir conexões de longo prazo entre o algodão brasileiro e atores estratégicos da cadeia global de valor. Dentro desse contexto, vemos o intercâmbio com outros países produtores como fundamental para gerar valor para todo o setor”, destacou o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte.
