Escassez e clima pressionam mercado de café asiático
Oferta restrita e atrasos na colheita mantêm mercado global de café atento ao Sudeste Asiático
O mercado de café no Sudeste Asiático segue operando em ritmo mais lento nas últimas semanas, diante da redução da oferta no Vietnã e na Indonésia. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o cenário é resultado da retenção de vendas por produtores vietnamitas, do atraso na colheita indonésia provocado pelas chuvas e das preocupações com possíveis impactos climáticos ligados ao fenômeno El Niño.
Até abril, as exportações de café do Vietnã permaneceram aquecidas e alcançaram 18,6 milhões de sacas na safra 2025/26, volume 23,9% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Conforme a Hedgepoint Global Markets, os produtores aproveitaram os preços favoráveis, a maior produção da temporada e a menor presença de vendedores brasileiros no mercado internacional para acelerar as vendas no início da safra.
Agora, com boa parte da produção já comercializada e o país entrando em período de entressafra, os produtores passaram a segurar novos negócios, reduzindo a disponibilidade do produto no mercado internacional. Com isso, compradores passaram a buscar mais café da Indonésia, que também enfrenta limitações de oferta.
Chuvas atrasam safra na Indonésia
Na Indonésia, as chuvas intensas registradas nas últimas semanas atrasaram o início da colheita da safra 2026/27, reduzindo a disponibilidade de café e afetando os volumes exportados.
Segundo a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, a expectativa inicial era de que a safra começasse em abril, com maior entrada de volumes no mercado a partir de maio.
“As chuvas intensas ao longo do mês passado atrasaram o início da colheita, limitando a disponibilidade de café”, afirmou a analista.
O cenário também ajudou a sustentar os preços do café robusta no mercado internacional, especialmente porque a safra brasileira 2026/27, que tem expectativa de produção recorde, ainda não entrou com força no mercado. Além disso, o real mais valorizado frente ao dólar também reduziu o interesse de vendas por parte dos produtores brasileiros no curto prazo.
Clima segue no radar do mercado
As condições climáticas no Vietnã continuam sendo acompanhadas de perto pelo mercado enquanto a safra 2026/27 se desenvolve. Após um mês de março mais chuvoso, abril registrou precipitações abaixo da média, aumentando as preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras e da floração das plantas.
Segundo a Hedgepoint Global Markets, a possibilidade de atuação do fenômeno El Niño no segundo trimestre reforça os alertas para os próximos ciclos produtivos.
Até o momento, porém, não há relatos de impactos severos nas lavouras vietnamitas, e novas chuvas previstas para os próximos dias podem trazer alívio aos produtores.
De acordo com Laleska Moda, os principais riscos climáticos são observados para a safra 2027/28, já que um eventual fortalecimento do El Niño pode comprometer a disponibilidade de água para irrigação e atrasar a floração do café.
Com estoques mais baixos, vendas antecipadas já realizadas e atrasos na colheita da Indonésia, o mercado internacional de café segue atento ao comportamento da oferta asiática e às condições climáticas que podem influenciar as próximas temporadas globais.
