O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) está orientando os produtores rurais a declararem a vacinação contra a raiva durante a etapa de atualização de rebanhos, que permanece aberta até 30 de junho em Minas Gerais. A medida é considerada fundamental para fortalecer as ações de prevenção e controle de uma doença que afeta os herbívoros e também representa risco à saúde pública.
Segundo a coordenadora estadual do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), Daniela Bernardes, os produtores que ainda não realizaram a vacinação devem providenciar a imunização o quanto antes. Caso a aplicação ocorra após o encerramento da atualização de rebanhos, a declaração poderá ser feita normalmente ao longo do ano, sem impedir a regularização cadastral da propriedade.
Doença é fatal e não possui tratamento
As ações de prevenção e controle da enfermidade em Minas Gerais são coordenadas pelo PNCRH, executado pelo IMA. De acordo com Daniela Bernardes, a raiva é uma doença com taxa de letalidade de 100% nos herbívoros.
Sem tratamento disponível, a enfermidade leva os animais infectados à morte. Por isso, a vacinação é considerada a principal ferramenta de prevenção, reduzindo os riscos sanitários e os prejuízos econômicos decorrentes da perda de animais.
Além do impacto nos rebanhos, a raiva integra o conceito de saúde única, que relaciona a saúde animal, humana e ambiental. Como se trata de uma zoonose, pessoas que manipulam animais com sintomas compatíveis com a doença podem ser expostas ao risco de infecção.
Entre os principais sinais clínicos estão dificuldade para engolir, salivação excessiva e alterações na locomoção, como andar cambaleante.
Declaração auxilia ações de vigilância
O IMA destaca que a declaração da vacinação é uma ferramenta importante para identificar áreas mais vulneráveis e direcionar ações de controle da doença.
Por meio das informações fornecidas pelos produtores, o órgão consegue monitorar a cobertura vacinal dos rebanhos e planejar políticas públicas mais eficientes para prevenção da enfermidade. O procedimento pode ser realizado pelo Portal do Produtor ou diretamente em uma unidade de atendimento do instituto.
Quais animais devem ser vacinados?
A vacinação é recomendada para bovinos, bubalinos, equinos, asininos, muares, caprinos e ovinos com idade igual ou superior a três meses. Outras categorias também podem ser imunizadas conforme orientação de médico-veterinário.
Animais vacinados pela primeira vez devem receber duas doses da vacina, com intervalo de 30 dias entre as aplicações. Após essa etapa inicial, a imunização passa a ser anual, com dose única.
Caso haja dificuldade para encontrar o imunizante, o produtor deve comunicar a situação ao IMA, informando os municípios onde houve falta da vacina.
Notificação de suspeitas é obrigatória
O instituto também reforça a necessidade de comunicar imediatamente casos suspeitos da doença e ocorrências de ataques de morcegos aos animais. No meio rural, o principal transmissor da raiva dos herbívoros é o morcego hematófago Desmodus rotundus.
Após a notificação, equipes do IMA realizam atendimento na propriedade e, quando necessário, fazem a coleta de material para diagnóstico laboratorial gratuito. Em casos confirmados, são adotadas medidas de vigilância epidemiológica, orientação aos produtores, comunicação aos órgãos de saúde e ações de controle do morcego transmissor.
Comentários
