A Abrapa promoveu nesta quarta-feira (14), em Brasília, o 3º Workshop Integrado de Pragas e Doenças do Algodão. O encontro reuniu associações estaduais, pesquisadores, representantes da indústria e especialistas nacionais e internacionais para discutir estratégias de manejo integrado, uso de biológicos e os principais desafios fitossanitários da cotonicultura brasileira.
Realizado por meio do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), o evento contou com apoio da Bayer e teve como foco o avanço de soluções sustentáveis para o controle de pragas e doenças que impactam a produtividade do algodão.
A programação foi dividida em três grandes eixos: manejo de bicudo e lagartas, controle de doenças como ramulária e mancha-alvo e o avanço do uso de biológicos nas lavouras.
Manejo integrado e desafios regulatórios
Durante a abertura, o vice-presidente da Abrapa, Paulo Aguiar, destacou que a agricultura tropical exige cada vez mais integração entre tecnologias para equilibrar produtividade e sustentabilidade.
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Segundo ele, os produtos biológicos vêm ganhando espaço como alternativa complementar aos defensivos químicos, especialmente diante da busca por sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
“O desafio da agricultura tropical exige cada vez mais inovação e integração de tecnologias. Os biológicos ajudam a reduzir o uso de defensivos químicos, mas também precisamos avançar no desenvolvimento e aprovação de novas moléculas”, afirmou Aguiar.
O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, antecipou durante o evento que o Ministério da Agricultura deverá lançar ainda neste mês o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), ligado ao novo Marco Regulatório dos Defensivos Agrícolas.
Segundo ele, o sistema vai integrar os processos de análise do Ministério da Agricultura, do Ibama e da Anvisa para agilizar o registro de novas moléculas para uso agrícola.
Portocarrero também destacou que o manejo integrado de pragas é uma ferramenta importante para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional das propriedades.
Bicudo e lagartas concentram debates
O combate ao bicudo e às lagartas dominou grande parte da programação do workshop. Especialistas reforçaram a importância do manejo contínuo, do monitoramento e da integração entre diferentes ferramentas de controle.
Pesquisadores do Instituto Mato Grossense de Algodão, da Abapa e da SLC Agrícola apresentaram panoramas sobre a situação do bicudo nas principais regiões produtoras do país.
A destruição adequada da soqueira foi apontada como um dos principais desafios atuais da cotonicultura. Especialistas destacaram que o vazio sanitário continua sendo fundamental, mas precisa estar associado a outras estratégias para garantir maior eficiência no controle da praga.
Outro destaque foi a apresentação da Rede Bicudo Brasil, iniciativa que realiza ensaios simultâneos em diferentes regiões produtoras para comparar resultados e definir recomendações regionais de manejo.
No painel sobre lagartas, pesquisadores debateram o uso de inseticidas, o fortalecimento das áreas de refúgio e a integração entre biotecnologia e manejo fitossanitário.
Doenças desafiam eficiência dos fungicidas
O avanço da ramulária e da mancha-alvo também esteve entre os principais temas debatidos durante o workshop.
Pesquisadores alertaram para o aumento da resistência dos patógenos e defenderam a necessidade de revisar as estratégias utilizadas atualmente no campo.
Segundo especialistas, a combinação de fungicidas e a redução do intervalo entre aplicações têm apresentado melhores resultados no controle das doenças.
Representantes da Embrapa Algodão e da Fundação Chapadão destacaram que o avanço das doenças exige um manejo mais técnico, preventivo e integrado para preservar a eficiência das moléculas disponíveis.
Uso de biológicos ganha espaço
O uso de produtos biológicos apareceu como uma das estratégias mais promissoras para a cotonicultura brasileira.
Durante as apresentações, especialistas ressaltaram que essas tecnologias ajudam a reduzir o uso de químicos, melhorar o equilíbrio do sistema produtivo e ampliar a sustentabilidade das lavouras.
Produtores relataram experiências positivas no controle de doenças e reforçaram que a adoção dos biológicos exige mudanças na estrutura e na rotina operacional das propriedades rurais.
Cooperação internacional fortalece o setor
O workshop também contou com a participação de representantes da Austrália, Argentina e Paraguai, que destacaram a importância da integração entre produtores, indústria e pesquisa para enfrentar os desafios fitossanitários da cotonicultura.
No encerramento, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, afirmou que o manejo integrado de pragas e doenças é uma das prioridades do programa ABR.
“O grande avanço do MIPD está na integração entre pesquisa, tecnologia e experiência prática no campo. O algodão brasileiro evolui quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada para construir soluções sustentáveis e eficientes”, destacou.
