A produção sustentável de soja na Amazônia vem ganhando espaço entre produtores e entidades do setor agropecuário. Durante o evento Sustensoja – Caminhos para a Soja Sustentável, realizado em Santarém (PA), representantes da cadeia produtiva discutiram estratégias para conciliar produtividade, preservação ambiental e acesso a mercados internacionais mais exigentes.
O encontro reuniu produtores, pesquisadores e instituições ligadas ao agro para apresentar os avanços do Projeto Soja Sustentável na Amazônia, desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), AgriTierra, Alauda Consulting e Jacobs Futura Foundation (JFF).
A iniciativa atua nos estados do Acre, Rondônia e Pará, considerados estratégicos tanto pela importância na produção agrícola quanto pela sensibilidade ambiental. O foco do projeto é estimular práticas regenerativas capazes de melhorar a eficiência produtiva, fortalecer a conformidade socioambiental e aumentar a competitividade da soja brasileira.
Entre os temas debatidos no evento estiveram tecnologias voltadas à sustentabilidade, como o uso de biochar para sequestro de carbono e a remineralização dos solos, alternativa que pode reduzir a dependência de insumos químicos e ampliar a resiliência hídrica das propriedades.
Segundo o pesquisador da Fundepag, Lucas Lima, o projeto realizou um amplo diagnóstico em propriedades rurais da região Norte. O levantamento avaliou aspectos ambientais, econômicos, agronômicos, de governança e biodiversidade.
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De acordo com ele, 69 produtores participaram da pesquisa, abrangendo mais de 61 mil hectares cultivados. O estudo identificou mais de 32 mil hectares com potencial para adoção de práticas regenerativas e sustentáveis.
“O protocolo de agricultura regenerativa permite entender como está a agricultura em áreas do Pará, Rondônia e Acre”, destacou Lima durante o evento.
O pesquisador afirmou ainda que os produtores receberam diagnósticos individualizados, com recomendações voltadas às áreas agronômica, ambiental, social e de governança, ampliando o conceito tradicional de ESG dentro da produção agrícola.
Mercado internacional e exigências ambientais
Outro ponto debatido foi o posicionamento do Brasil diante das novas exigências internacionais, especialmente relacionadas ao Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e ao crescimento da demanda por soja Non-GMO.
A proposta do projeto é fortalecer mecanismos de certificação, rastreabilidade e produção sustentável para ampliar o acesso da soja brasileira a mercados de maior valor agregado.
Para Caroline Anelli, do Imaflora, o evento serviu para aproximar produtores, compradores e representantes da governança da cadeia produtiva.
“A região tem potencial para avançar em produtividade ao mesmo tempo em que fortalece práticas mais sustentáveis”, afirmou.
Já o líder de novos negócios da Fundepag, Denys Biaggi, destacou que a integração entre ciência, setor produtivo e mercado será essencial para consolidar modelos de agricultura regenerativa na Amazônia.
Segundo ele, o objetivo é construir sistemas produtivos capazes de unir competitividade, sustentabilidade e preservação ambiental nas regiões produtoras do Norte do país.
