Milho segunda safra avança, mas clima preocupa produtores em MS
Levantamento aponta maioria das lavouras em boas condições, mas estiagem, granizo e risco de geadas já causam perdas pontuais
A segunda safra de milho 2025/2026 segue com bom potencial produtivo em Mato Grosso do Sul, mas o avanço do clima seco e o risco de geadas aumentam a preocupação dos produtores em parte do estado. Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, mostra que 71,5% das lavouras estão em boas condições, enquanto 17,8% aparecem em situação regular e 10,7% já são classificadas como ruins.
As melhores condições das lavouras estão concentradas nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste, onde os índices de áreas avaliadas como boas variam entre 75,4% e 92,1%. A região norte lidera o desempenho, com mais de 92% das áreas apresentando bom potencial produtivo.
Já nas regiões centro, sul, sul-fronteira e sudeste, o cenário é mais delicado. Nessas áreas, o percentual de lavouras em condições ruins chega a 23,8%, reflexo da irregularidade das chuvas, da estiagem e do risco de geadas durante o desenvolvimento da cultura.
Na região central do estado, que inclui municípios como Sidrolândia, Rio Brilhante e Campo Grande, pouco menos de 58% das áreas mantêm bom potencial produtivo, enquanto parte das lavouras já registra perdas.
Granizo e clima seco aumentam preocupação
Além da falta de chuva, produtores também enfrentaram episódios de granizo em municípios como Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema durante a terceira semana de maio. As ocorrências provocaram danos pontuais em áreas cultivadas com milho.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é considerado favorável, mas o comportamento climático entre maio e junho será decisivo para consolidar o potencial da safra.
De acordo com ele, o plantio realizado dentro da janela ideal ajudou a sustentar as expectativas produtivas até o momento, embora as condições climáticas sigam sendo monitoradas com atenção.
Área de milho diminui no estado
O levantamento também aponta mudança importante no perfil produtivo sul-mato-grossense. Nesta temporada, o milho ocupa cerca de 46% da área anteriormente cultivada com soja, percentual inferior aos 75% registrados em anos anteriores.
A redução está relacionada principalmente ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que influencia diretamente as decisões de plantio no estado.
Produção pode superar 11 milhões de toneladas
A estimativa atual do Projeto SIGA-MS aponta cultivo em 2,206 milhões de hectares, com produtividade média esperada de 84,2 sacas por hectare. A produção projetada é de 11,139 milhões de toneladas.
No mercado, o milho disponível em Mato Grosso do Sul foi cotado, em média, a R$ 51,14 por saca no dia 18 de maio. Já a comercialização da segunda safra 2026 alcançou 22% da produção estimada.
Os modelos climáticos também seguem no radar do setor. Há previsão de 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre junho e agosto de 2026, cenário que pode elevar as temperaturas e aumentar a frequência de ondas de calor no segundo semestre.
